Em nota, secretário do MS nega envolvimento em corrupção

Ary Rigo, flagrado em vídeo negociando propina no Estado, afirma que gravações[br]foram editadas

João Naves de Oliveira ESPECIAL PARA O ESTADO CAMPO GRANDE, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

O primeiro secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Ary Rigo (PSDB), afirmou não ter apontado qualquer autoridade do Estado em esquema de corrupção, conforme mostram os quatro vídeos divulgados na terça-feira pela internet. "A gravação foi editada e, por isso, o seu conteúdo não traduz a conclusão apresentada."

Sob gritos que ecoavam frases como "Rigo ladrão, cadeia é a solução", ele chegou à seção ordinária de ontem, mas os trabalhos legislativos foram suspensos. Uma nota sobre o episódio foi distribuída em seguida, enquanto membros de 14 entidades, entre elas a Central Única dos Trabalhadores e o Movimento dos Sem-Terra, continuaram no plenário por quase meia hora.

"(...) acreditava que estava tendo uma conversa privada e reservada com pessoa de extrema confiança e que queria ajudar o amigo e chefe Ari Valdecir Artusi (prefeito de Dourados)", diz trecho da nota, por meio da qual o parlamentar explica que a conversa era com o ex-secretário de governo da Prefeitura Municipal de Dourados, Leandro Passaia, preocupado com a provável cassação de Artusi pela Câmara Municipal.

A gravação foi feita no mês passado em um hotel da cidade de Maracaju, na região leste do MS, propriedade da irmã de Ary Rigo. Na ocasião, os vereadores de Dourados haviam concluído os trabalhos da CPI da Saúde, concluindo que Artusi estava retirando R$ 2 milhões por mês do setor de saúde pública para a chamada "Farra das Propinas", o que justificava a cassação.

Sobre a distribuição de dinheiro para as autoridades estaduais, a nota diz que "(...) na verdade eu quis dizer ao Governo do Estado e não especificamente ao governador. São R$ 2 milhões e depois aumentados para R$ 6 milhões, referentes a economias do legislativo estadual, devolvidos para o Estado. A cada mês o legislativo estadual gasta menos. (...) quanto aos deputados que receberiam R$ 120 mil a cada mês, é lógico que referi-me ao total do custo do gabinete de cada um".

Quanto aos R$ 300 mil tidos como direcionados ao Tribunal de Justiça, não mencionou o valor, dizendo apenas que "no que toca à referência feita ao desembargador Claudionor Miguel Abss Duarte, esclareço que com ele estive tão somente para saber se era verdade que fora feito outro pedido de prisão contra o prefeito de Dourados".

Defesa. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) não aceitou a retratação feita por Ary Rigo, alegando que "as denúncias são severamente graves e devem ser apuradas". A defesa do desembargador citado no vídeo também não desistiu de processar o parlamentar e avisou que o posicionamento assumido ontem por Rigo não o absolve de explicações definitivas e esclarecedoras por meio judiciais.

O mesmo posicionamento adotou o Comitê Regional de Defesa Popular de Dourados. A organização congrega 40 associações de trabalhadores e defensores dos direitos humanos. Em nota, a entidade afirmou que "exige imediata intervenção do Ministério Público Federal".

O governador André Puccinelli (PMDB) também divulgou nota por meio da qual nega irregularidades em repasses de verbas. Vários documentos sobre o assunto foram encaminhados para o STJ e CNJ.

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