Em Nova Friburgo, único hospital não consegue dar conta de feridos por chuvas

Cidade tem apenas um hospital que se encontra em situação de 'calamidade' devido ao grande número de paciente e interdição de ala afetada pelas enchentes

Agência Brasil,

13 de janeiro de 2011 | 16h50

NOVA FRIBURGO-RJ - Além de tentar restabelecer a normalidade no município, Nova Friburgo, na região serrana fluminense, enfrenta o desafio de oferecer assistência médica aos feridos em deslizamentos de terra, desabamentos de imóveis e enchentes provocados pela forte chuva que caiu na madrugada desta quarta-feira, 12. São casos de pessoas com lesões e fraturas, que procuram assistência hospitalar.

 

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O Hospital Municipal Raul Sertã, o único do município, não consegue dar conta do grande número de pacientes. A capacidade de atendimento do hospital foi ainda mais reduzida depois que o ambulatório no primeiro andar do edifício foi inundado pela água barrenta dos rios.

 

O médico Luís Fernando Azevedo estava de plantão no hospital, no dia em que o ambulatório foi invadido pela água. "De repente, a água subiu muito rápido. Tivemos que subir os pacientes para o segundo andar e perdemos todo o setor em que atendemos as emergências. Aí, foram chegando os traumas. Imediatamente foi aberto o centro cirúrgico, para atender às fraturas graves", disse.

 

Segundo ele, a situação do hospital é de "calamidade" devido ao grande número de pacientes e à interdição da ala afetada pela enchente. Uma das soluções encontradas pela prefeitura foi montar algumas bases improvisadas, para atender ao excesso de feridos.

 

Uma dessas bases foi montada em um galpão dentro do próprio terreno da prefeitura, onde colchões foram espalhados pelo chão para atender aos feridos. "Nossa situação é difícil. Até agora estamos conseguindo atender com os medicamentos que temos, mas sabemos que eles [os medicamentos] vão acabar, pela quantidade de doentes. Precisamos de ajuda", disse o médico.

 

O caseiro João Oliveira da Silva, de 35 anos, era um dos feridos atendidos no galpão improvisado da prefeitura. Com um corte profundo na perna, João descansava sentado em uma cadeira de rodas, enquanto era medicado.

 

Ele conta que estava em casa, quando ela desabou na madrugada de quarta-feira. Ele chegou a ser soterrado pelos escombros, mas diz que conseguiu escapar sozinho. "A água da chuva derrubou as casas e a gente estava dentro. Começou a deslizar e foi desmoronando tudo. Perdi minha mulher, meu filho e meu patrão também soterrados. Está todo mundo soterrado lá."

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