Tasso Marcelo/AE
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Em obras, postos da orla do Rio sobem preço

Locais, reformados há apenas dois anos, terão gradil de fibra sintética substituído; usar o banheiro agora custa R$ 1,50 e o chuveiro, R$ 3

Felipe Werneck - O Estado de S. Paulo,

16 Outubro 2010 | 10h26

RIO - Dois anos após uma reforma que consumiu R$ 2,7 milhões, os postos de salvamento da orla carioca receberão nova programação visual, que inclui a troca do bem conservado gradil branco de fibra sintética por uma proteção de vidro, ao custo de R$ 5 milhões. O primeiro dos 27 postos a receber o "projeto de modernização" será o 9, em Ipanema. As obras começaram neste mês.

 

A mudança é resultado da concessão de todos os postos à empresa Orla Rio, que já administra 309 quiosques das praias das zonas sul e oeste desde 2000. Em troca da extensão do contrato de exploração dos quiosques até 2030, a Orla Rio ganhou da prefeitura no fim de setembro a administração dos 27 postos de salvamento, tornado-se responsável por sua reforma, manutenção e operação.

 

A primeira medida da empresa foi aumentar o preço cobrado pelo uso dos banheiros e chuveiros nos postos, antes fixado em R$ 1,00. Com a nova administração, o banheiro passou a custar R$ 1,50, e a chuveirada, R$ 3,00. O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, não gostou da mudança. Para ele, o aumento é "absurdo".

 

"Estamos verificando a questão jurídica, porque não houve licitação. A Orla Rio pegou os postos e recebeu de presente a prorrogação da administração dos quiosques. Vemos com preocupação a forma como isso ocorreu, porque a primeira medida foi aumentar o preço, antes das obras", reclamou Horácio.

 

O secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Roberto Osório, argumentou que a concessão foi a "solução encontrada" para melhorar um serviço que, diz ele, ocupava 82 garis, consumia R$ 3,2 milhões por ano e "não era adequado". Osório afirmou, porém, que a prefeitura "já entrou no circuito" para rever a questão do aumento. "É importante que façam o investimento primeiro. Não concordamos com esse aumento e vamos discutir o que achamos razoável", acrescentou Osório, sem fixar um valor. "A solução imediata é parar de cobrar o novo preço."

 

Ele reconheceu que o gradil de material sintético (resistente à maresia) é de boa qualidade e está conservado. Disse, porém, que o objetivo é "resgatar o projeto original dos postos usando vidro". Osório frisou que o investimento será privado e afirmou que o gradil será reaproveitado.

 

O vice-presidente da Orla Rio, João Marcello Barreto, afirmou que pretende investir R$ 5 milhões em um ano e meio. Ele disse que haverá mais banheiros, fraldário, armários e novos serviços. "Tem de ver o serviço que é prestado, a qualidade do sabonete, do papel higiênico. Teremos até placa solar para gerar energia", disse. "O contrato me permite cobrar até R$ 2,54 pelo sanitário. O banho, que era de 30 segundos, agora é de 3 minutos. O banheiro vai custar R$ 1,50 mesmo. O chuveiro, vamos ver." Ontem, Bruna Costa, de 15 anos, tentou usar o banheiro no Leme. Estava fechado para obras. "Pena. Sempre venho. Tomava até banho depois da praia por R$ 1,00."

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