Em ofensiva, PT cogitou formar grupo maior

Cúpula do partido traçou estratégia para minar o blocão do PMDB e acenou a união com PSB, PDT, PCdoB, PV e PMN

Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2010 | 00h00

O PT adotou a estratégia de minar, na base, a tática do PMDB de formar um blocão com outros quatro partidos aliados com intuito de exigir espaço no primeiro escalão do governo e isolar o partido na disputa pela presidência da Câmara. Após reuniões da cúpula que atravessaram a madrugada de ontem, o PT avaliou que o PMDB não sustentará a formalização do bloco com 202 deputados, como anunciou na terça-feira, com o PR, o PP, o PTB e o PSC.

Mesmo assim, setores do PT chegaram a fazer cálculos e concluíram que, se necessário, poderiam buscar outros partidos da base - PSB, PDT, PCdoB, PV, PMN e outras legendas menores -, e com elas formar outro bloco com um número maior de deputados. A reação mostra a guerra fria existente entre PT e PMDB pela hegemonia de poder na Casa e no governo da futura presidente Dilma Rousseff. Pressionados, os partidos-satélites do PMDB sinalizaram o desembarque do blocão .

"Faca no pescoço". "Quiseram (o PMDB) colocar a faca no nosso pescoço, mas eles não têm força para isso. Nós concluímos que o melhor era trabalhar dentro dos partidos e deixar o PMDB com a brocha na mão. O bloco durou apenas algumas horas. Agora, o PMDB terá de vir conversar conosco em outros termos", disse um dirigente petista, que participou de diversas reuniões do governo. Na avaliação feita da cúpula petista, o PMDB não teria como concretizar o bloco com tantos interesses diferentes de cada partido.

O comportamento do aliado PMDB foi um dos principais assuntos, ontem, da reunião das tendências Construindo um Novo Brasil (CNB), PT de Lutas e de Massas (PTLM) e Novos Rumos, que, juntas, representam 55% da direção nacional petista.

"Consideramos a formação do megabloco como um gesto inadmissível e desnecessário. Uma barbeiragem", definiu o deputado Jilmar Tatto (PT-SP). "O momento é de ponderação e conversa para desanuviar o ambiente, mas esse tipo de movimento acaba provocando trovoadas e prejudica o processo do governo de coalizão."

Em conversas reservadas, petistas saíram da reunião, preparatória para o encontro do Diretório Nacional do PT, amanhã, dizendo que o PMDB "começou mal" ao formar um bloco que "não tem sequer função parlamentar".

Em resposta às cobranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, o vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), convocou os líderes do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), e do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para propor trégua. "A questão do bloco tem pouca relevância, o importante é a afirmação que não há divergência e que estão todos trabalhando juntos", disse Temer, após o encontro.

Ele foi um dos principais alvos das críticas petistas. O PT não engoliu o fato de Temer estar reunido com o presidente do PT no momento em que seu partido fechava o blocão na Câmara, sem informá-lo disso. Dutra só soube pela imprensa.

Em meio a frases de apoio irrestrito ao governo, Henrique Alves reafirmou, após a reunião com Temer, que o blocão foi organizado para garantir espaço no governo e na Câmara para os que ajudaram a eleger Dilma. "Haverá respeito absoluto e harmonia com os espaços", garantiu.

/ COLABOROU VERA ROSA

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