Em Olinda, Lula promete "reforma política profunda"

O presidente Lula anunciou neste domingo, 23, em Olinda que se for eleito para um segundo mandato vai se dedicar a uma "reforma política profunda". Para uma platéia formada eminentemente de parlamentares e políticos do Nordeste - muitos deles candidatos a cargos majoritários ou proporcionais -, ele atribuiu diretamente ao Congresso mazelas da região.Lula atacou "partidos laranjas" e disse que a estrutura política do País é uma "ferida, acúmulo de deformações", apontando para sanguessugas e mensaleiros. "Ou nós temos a coragem de mudar isso com uma certa profundidade ou nós, daqui a 20 anos, estaremos amargando as mesmas coisas que estamos amargando", enfatizou. "Não pensem que o erro de cada um é individual ou partidário, o que acontece nesse País são os acúmulos de deformações que existe na estrutura política."O presidente defendeu retoques até nos estatutos da Câmara e do Senado. "Uma reforma política passa pela reorganização das estruturas partidárias, desde a mudança interna do regimento do funcionamento das duas Casas para levar as pessoas a terem compromisso com a democracia e com o País, até a discussão sobre o mandato de pessoas e a existência ou não de partidos laranjas ou de partidos de verdade. Essa é uma reforma que nós vamos ter que nos debruçar."Na manhã deste domingo, depois de ser despertado por um protesto de policiais ferroviários federais à porta do hotel onde se hospedou, o presidente-candidato veio a Olinda para uma reunião que, a princípio, havia sido agendada com intelectuais, doutores e professores na centenária Academia Santa Gertrudes, dirigida pelas irmãs beneditinas missionárias de Tutzing, Alemanha.A pauta era um debate que apontasse soluções para o Nordeste, mas o encontro transformou-se em um ato político que se arrastou por quase 6 horas. Lula pediu votos, prometeu ações exclusivas para o Nordeste e ressaltou que vai insistir na marca de seu governo, os programas de cunho social como o Bolsa Família. "Se é assistencialismo eu não sei, o dado concreto é que está levando muita proteína para o buchinho das crianças."Ao mirar o Congresso, o presidente-candidato disse que o Nordeste "precisa parar de ser vítima, de ser tratado como uma região de segunda classe". Eleassinalou: "A reforma política pode garantir mudanças para o Nordeste. Eu não consigo compreender como é que o Fundo de Desenvolvimento Regional, que está para ser votado no Congresso, não é destinado para que a gente tenha a Sudene funcionando de verdade. Os governadores conseguem convencer os parlamentares a não votarem porque querem que o fundo seja partilhado um pouquinho para cada Estado, para que o dinheiro seja jogado no caixa único de cada Estado e eles possam gastar sem a funcionalidade que queremos dar ao fundo. A vocação da elite dirigente desse País não passa pelo desenvolvimento do Nordeste e nem do Norte."Alertou sua platéia sobre a batalha que vai enfrentar e reafirmou que não haverá espaço para nervosismo. "Vamos fazer nossa parte com a mesma tranqüilidade que fizemos as outras batalhas. Não vamos baixar o nível de campanha, vocês vão perceber que não vou falar mal de nenhum candidato. Também não vou falar bem. Não aceitem provocações. Vamos para a disputa, a gente não tem que saber quando é que vai ganhar. Se no começo ou no final de outubro. Não temos que ficar preocupados com pesquisas."

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