Em operação na Rocinha, ao menos dois morrem e um é preso

Túnel Zuzu Angel ficou interditado e policiais foram encurralados no local; comércio fechou as portas

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

16 de dezembro de 2008 | 09h23

Uma operação da Polícia Civil com 200 homens nesta terça-feira, 16, na Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio, deixou dois traficantes mortos. O objetivo da operação era prender o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, apontado como o líder do tráfico de drogas local e um homem apontado como um dos armeiros da quadrilha. Nenhum dos dois foi encontrado. Além de não conseguir cumprir os mandados de prisão e apreender apenas uma planta de maconha, os policiais foram vítimas de uma emboscada antes de entrar na favela, em uma das vias mais movimentadas da zona sul do Rio.  Foto: Wilton Júnior/AE  Policial armado entre moradores e consumidores na Rocinha durante a operação policial nesta terça    Antes de chegar a Rocinha, por volta das 6h30, o comboio de viaturas policiais ficou encurralado no Túnel Zuzu Angel por 20 minutos. Após a passagem do carro blindado, apelidado de "caveirão", traficantes jogaram uma granada na saída do túnel e impediram o avanço das demais viaturas. "Foi uma recepção que fugiu ao normal. Primeiro foi uma granada e depois foi muita bala", reconheceu o delegado-titular da Delegacia de Combate às Droga (Dcod), Marcus Vinícius Braga. Apesar de os policiais terem sido recebido a tiros por traficantes de prontidão, Braga negou que os criminosos soubessem com antecedência sobre a operação da polícia.   "A operação não vazou. Infelizmente, eles (os traficantes) estão sempre posicionados ali. Se tivesse vazado, eles não estariam lá", afirmou Braga. Esta não seria a primeira vez que os traficantes saberiam com antecedência de uma incursão policial. Em agosto, o inspetor da Polícia Civil, Sérgio Luiz Albuquerque, de 49 anos, foi preso após ser flagrado em escutas telefônicas em que avisava a traficantes sobre uma operação da polícia no dia 2 daquele mês.   Foto: Wilton Júnior/AE Policiais civis fazem operação na Favela da Rocinha na manhã desta terça   Na casa do suposto armeiro do tráfico, os agentes encontraram uma folha com uma lista com o dinheiro gasto na manutenção do armamento dos criminosos, cujo valor total da compra de peças para reparos chegava a R$109,480,00. A peça de reposição mais cara era descrita como "frente de fuzil Parafal ou 762", que sairia a R$24 mil. Dois homens foram detidos, um deles com uma granada e o outro que tinha o vaso de planta com um pé de maconha em casa. Foram apreendidas camisetas falsas da Polícia Civil, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e outras com a foto de Nem, além de uma espada ninja. No acesso à Rocinha, a PM estourou um depósito de CDs piratas.   O delegado disse que a busca ao traficante Nem continuará. "Ele se acha dono da Rocinha e a comunidade pertence aos moradores. Alguns episódios mostraram que ele acha que pode se sobrepor ao poder público. ", afirmou o delegado, referindo-se ao espancamento de dois soldados do 23º Batalhão de Polícia Militar do Leblon, em outubro, e ao recente assalto a um carro com quatro oficiais da PM na saída do Shopping Fashion Mall, no sábado. Na ocasião, o tiroteio resultou na morte de um coronel do Exército.   Texto ampliado às 21h46 para acréscimo de informações.

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