Em painéis, partido se revê à esquerda

Cartazes ilustram mudança de ideário petista

Wilson Tosta e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2011 | 00h00

Um Luiz Inácio Lula da Silva de cabelos e barbas mais negros e um PT com bandeiras mais vermelhas formaram parte do cenário frequentado pelos delegados do 4º Congresso Nacional da legenda, no Centro de Eventos Brasil 21. Ambos apareceram em dezenas de cartazes produzidos pelo partido desde sua fundação, em 1980, que constituíram a decoração da livraria repleta de publicações de esquerda montada em um hall transformado em um ponto de encontro dos delegados.

"Partido dos Trabalhadores - o partido sem patrões. Por um governo dos trabalhadores", pregava um dos cartazes, dos primórdios da legenda. Perto, outra mensagem na mesma linha: da primeira eleição geral que Lula disputou, para governador de São Paulo, em 1982. "Peão não é cabo eleitoral de patrão", dizia.

Nela, havia os nomes de dois políticos que, depois e por divergências diferentes, deixaram a legenda: Hélio Bicudo, que concorria a vice (e saiu do PT depois do caso do mensalão), e Jacó Bittar, candidato a senador.

A reprodução de uma nota de dólar, com o desenho de uma mulher com uma lata d"água na cabeça e duas crianças no lugar da figura de George Washington, ilustrava um cartaz com a palavra de ordem "Contra o pagamento da dívida externa". Lula, como presidente, orgulhou-se publicamente de honrar todos os débitos externos, quitando, inclusive, as dívidas com o Fundo Monetário Internacional.

Também chamavam atenção cartazes de 1994. Um dizia: "Reforma Agrária - Trabalhador rural, só o Lula pode assumir este compromisso".

Em seu governo (2003-2010), a timidez no setor foi a principal crítica feita ao governo pelo Movimento dos Sem-Terra. Outro defendia o monopólio estatal do petróleo, causa que Lula não levou em frente.

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