Em pânico, 36 desalojados lutaram por suas vidas

A luta das 36 pessoas desalojadas pelo incêndio que destruiu a empresa de produtos químicos era para salvar suas vidas. Elas contaram que só deu tempo para sair de casa. A Rua Henrique de Léo, onde vivem dez famílias, virou um rio de produto químico em chamas. Para sair de casa, alguns escalaram muros. Outros pularam telhados. As vítimas não conseguiram retirar roupas nem outros pertences pessoais. Quatro moradores tiveram seus carros destruídos pelas chamas.A analista de suporte Claudine Souza, de 33 anos, perdeu tudo no incêndio, incluindo o carro, um Ford Fiesta. Só não perdeu sua cadela Mel, uma poodle de cinco anos, porque os bombeiros conseguiram resgatá-la. "Pensei que ela tivesse morrido", desabafou. "Estamos só com a roupa do corpo. Não consegui nem tirar o carro."Na casa da aposentada Aparecida Rodrigues, de 66 anos, o estrago foi igual. Todo o imóvel foi queimado. "Foi um choque", disse a aposentada, que acordou com as explosões. Para sair de casa, ela teve de pular um muro de dois metros. Na descida, machucou o braço. "Abri a janela e vi o rio de fogo na rua. Entrei em choque."Em uma das casas geminadas mora o aposentado José Freire, de 67 anos. Ele tinha acabado de acordar quando viu a fumaça. "Não deu nem cinco minutos e a casa já estava quente. A única coisa que pensava era sair de lá mas, quando cheguei no portão, vi a rua tomada pelo fogo", recordou. Sua reação foi pegar a mulher, a nora e as netas de 9 e 6 anos para sair de lá. "Pulamos o muro e escalamos o telhado. Caímos em um terreno baldio e conseguimos nos salvar."Alunos das três escolas evacuadas da região contaram que houve correria e confusão, quando as explosões começaram. Em uma das unidades, os estudantes disseram que a inspetora não queria deixá-los sair da escola. "Os moleques derrubaram ela e arrombaram o portão", disse um deles, de 14 anos. A preocupação do garoto era sair logo para ver a avó, de 70 anos. "Ela teve intoxicação pela fumaça. Na hora fiquei desesperado, as chamas estavam muito altas. Os bombeiros não deixaram chegar perto. Graças a Deus ela está bem."

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