Em Paris, brasileiros ficam impressionados com acidente

Três famílias de brasileiros aguardavam notícias das buscas no Centro de Crise montado pelo governo francês

Andrei Netto, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2009 | 20h57

A notícia do desaparecimento do Airbus A330-200 no Oceano Atlântico chocou brasileiros que aguardavam para retornar ao Brasil na tarde desta segunda-feira, 1.º, no Aeroporto Internacional de Roissy-Charles de Gaulle. O acidente perturbou horários de decolagem e gerou grande movimentação de jornalistas e familiares no terminal 2D, onde a célula de crise foi montada pelo governo francês.

 

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Luiz Carlos Machado, de 40 anos, funcionário público e morador de Criciúma, em Santa Catarina, foi um dos mais assediados pela imprensa internacional. Há uma semana, ele havia tomado o mesmo voo da Air France e, ontem, embarcaria no trajeto equivalente de retorno. "Quando cheguei ao aeroporto, recebi um telefonema de um amigo contando do desaparecimento. Eu fiquei branco, não sabia o que fazer, nem para quem ligar", lembra. "Uma conhecida, Deise Possamai, também funcionária pública em Criciúma, está neste voo. Ela vinha passar um mês em Milão", disse o policial civil, que tinha o passaporte na mão e a passagem da Air France no bolso.

 

No mesmo saguão, a brasileira Aida Milani Rodrigues, de 59 anos, aguardava para embarcar. "Estou com medo, claro, mas preciso voltar. Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar." Aida, mora em Campinas, interior de São Paulo, chegou há 30 dias em Paris, onde visitou a filha, e voltaria em um voo da TAM para São Paulo.

 

A alguns metros do saguão, no interior do Centro de Crise, a cônsul-geral do Brasil em Paris, Maria Celina Rodrigues, prestava apoio aos familiares de brasileiros que estavam no voo. No local, uma ampla estrutura de apoio foi montada pelo governo francês, com 15 médicos e psicólogos, uma centena de funcionários da Air France e até religiosos.

 

Maria Celina se encontrou com três familiares brasileiros: um jovem que aguardava a esposa e o filho, um idoso que esperava pela mulher e outro jovem que receberia o primo. "As pessoas estão em estado de choque. Vemos no rosto de cada um uma dor profunda", testemunhou.

 

Segundo a diplomata, não apenas o governo francês trabalha no Centro de Crise. O Itamaraty também presta atendimento aos familiares. "A partir de agora, cada vez mais nós seremos úteis agilizando documentos e quaisquer papéis que essas pessoas precisem."

 

Ao longo de todo o dia, dezenas de policiais protegeram os familiares do contato com a imprensa, garantindo a privacidade. Os poucos que transitaram em meio aos jornalistas não aceitaram conversar. No início da noite, eles foram levados a hotéis do entorno do aeroporto, onde continuariam recebendo atenção médica e psicológica, além de informações das buscas.

 

De acordo com a legislação francesa, os nomes das vítimas só serão divulgados com a autorização do Ministério Público.

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