Em Pernambuco, governo cancela camarote oficial no carnaval após ameaça de protestos

Esquema vigorou ao menos nos últimos sete anos. Prefeito Geraldo Júlio afirmou que o cancelamento representara economia de R$ 20 milhões

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2014 | 20h14

RECIFE - A menos de uma semana do carnaval, o governo de Pernambuco e a prefeitura do Recife decidiram cancelar a oferta de camarotes oficiais na festa e no desfile do Galo da Madrugada, considerado o maior bloco carnavalesco do mundo, segundo o livro dos recordes. A decisão pode ter sido tomada por causa da ameaça de protestos contra gastos públicos. No Facebook, por exemplo, foi organizado um evento intitulado "Quero a minha vaga no camarote VIP do governo".

Nos últimos sete anos de governo, o governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) manteve camarotes oficiais no carnaval. Políticos, artistas e convidados especiais usufruíram do esquema. Em 2010, a então pré-candidata à presidência da República, Dilma Rousseff (PT), e o então governador do Ceará, Ciro Gomes (ainda no PSB), acompanharam o desfile do Galo.

Nesta terça-feira, 25, o secretário estadual de Cultura, Marcelo Canuto, informou que o governo de Pernambuco já havia desistido de montar camarote na Torre Malakoff, no bairro do Recife Antigo. "Hoje (25), após a decisão do prefeito Geraldo Júlio de acabar com os camarotes, o governador Eduardo Campos decidiu também cancelar o seu espaço no Galo da Madrugada", disse, em nota.

O secretário de Turismo e Lazer do Recife, Felipe Carreras, informou que a prefeitura "resolveu estender para o camarote do Galo a decisão de não investir recursos públicos na realização da Fifa Fan Fest". O prefeito Geraldo Júlio afirmou que o cancelamento da festa da Copa do Mundo representaria uma economia de R$ 20 milhões, que poderiam ser melhor empregados.

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