Em ponto de combustão

O ponto de combustão a que chegaram as relações entre PMDB e PT já põe em risco o acordo para a presidência da Câmara, pelo qual os dois partidos se revezam no cargo, cabendo ao PT ocupá-lo no primeiro biênio.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2011 | 00h00

Não é só o desequilíbrio na distribuição dos cargos de primeiro e segundo escalões que atormenta o partido do vice-presidente Michel Temer. À notória desproporção na ocupação de cargos - o PT tem 17 ministérios contra seis do PMDB - soma-se o tratamento de personagem secundário dispensado à legenda pelo governo.

O PT se empenha em exibir o parceiro da aliança como o mal necessário à governabilidade, em nome da qual tolera seus malfeitos, mas ao qual precisa impor limites. "Menos PMDB, menos corrupção", vendem.

O salário mínimo, dado como o primeiro embate no qual o PMDB daria o troco, é sempre fator de pressão e barganha, mas é uma conta que tem de fechar, então fechará. O conflito é de luta por espaço de poder e o raciocínio é singelo: se não tiver o poder no governo, o PMDB vai buscá-lo no Congresso.

O que fortalece a candidatura alternativa do deputado alagoano Aldo Rebelo (PC do B), que tenta se materializar com descontentes da base aliada, com o "bloquinho" (PDT, PC do B e PSB) e com a oposição.

A tarefa da hora de Rebelo é unir em torno de seu nome uma oposição cambaleante, cujas lideranças andaram chancelando o acordo dos adversários.

Repeteco

A oposição reproduz o comportamento de 2007 quando apoiou a eleição do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara, inaugurando a modalidade de revezamento entre PMDB e PT no cargo. No biênio seguinte foi a vez do atual vice-presidente, Michel Temer (SP), que agora assinou a prorrogação do contrato com o parceiro da aliança governista. Naquela ocasião o PSDB apoiou Chinaglia por orientação de José Serra, que esperava, assim, conquistar o apoio do PMDB à sua candidatura presidencial. Deu no que deu.

Negação política

O acordo atropelou a candidatura do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) que já o denunciava como uma anomalia política. Antes do episódio, sempre houve disputa, mesmo no regime militar, quando o deputado capixaba Djalma Marinho enfrentou o líder do governo Figueiredo, Nelson Marchezan (RS), embora como dissidente do partido governista. O histórico leva Rebelo a definir o acordo como a negação do processo político pela própria classe política.

Clima de guerra

É o ex-senador Marco Maciel (PE) o nome da preferência de Jorge Bornhausen (SC) para a presidência do DEM, a partir do próximo dia 15, quando o partido escolhe o sucessor do deputado Rodrigo Maia (RJ). O DEM vive a sua fase mais crítica, com redução significativa de seus quadros e, sem unidade interna, tende a desaparecer do mapa. Do outro lado, a ala do atual presidente, Rodrigo Maia, está em campanha por uma candidatura que se imponha à reação da velha guarda. O clima é cem por cento belicoso.

Fora de hora

Não durou 24 horas a ideia do ministro Aloizio Mercadante de levar a Embrapa para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Seria a gota d"água para o PMDB. Vinculada ao Ministério da Agricultura, sob comando do partido, a estatal tem orçamento milionário.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.