Em propaganda gratuita, PSDB reforça estratégia de ataques com dossiê

O programa eleitoral gratuito do PSDB na televisão deixou clara nesta sexta-feira a estratégia de insistir diariamente no escândalo dos petistas que comprariam um dossiê contra o governador eleito José Serra, por R$ 1,7 milhão. A última cena do programa, dedicado quase integralmente a propostas para a saúde, reproduziu uma fotografia do dinheiro, em notas de reais e dólares, apreendido pela Polícia Federal, durante a prisão do funcionário da campanha do PT Gedimar Passos e do empresário petista Valdebran Padilha. "Faz 28 dias que o governo Lula não diz de onde veio o dinheiro preso com petistas para comprar o falso dossiê contra Geraldo Alckmin. Vinte e oito dias. De onde veio o dinheiro?", questionou um locutor, encerrando os dez minutos do tucano.O programa do PT repetiu o da noite anterior, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu o "equívoco" de não ir aos debates no primeiro turno e acusou o adversário de fazer "uma campanha de ódio". Os petistas decidiram ignorar que Lula perdeu para Alckmin em estados como São Paulo. "São Paulo disse sim a Lula", afirmou um locutor do programa do PT, em um bordão que se repetiu tanto para Estados onde Lula foi vitorioso, como Ceará, Bahia e Minas Gerais, quanto derrotado pelo tucano, como o Rio Grande do Sul."Admito que me equivoquei, porque minha posição foi mal interpretada e não freou a baixaria do meu adversário", disse Lula sobre os debates do primeiro turno. "Já fui ao primeiro debate no segundo turno e continuarei indo aos demais", prometeu o presidente que, no entanto, não participará do debate da TV Gazeta na próxima terça-feira.O programa petista insistiu na comparação com o governo Fernando Henrique Cardoso, comparando dívida com o FMI, aumento do salário mínimo e geração de emprego. Insistiu no novo bordão, "não troque o certo pelo duvidoso" e fez promessas genéricas para ampliação das universidades, do Bolsa-Família, redução das taxas de juros, estímulo a fontes alternativas de energia, melhoria da saúde, recuperação de estradas. Com grande parte do programa dedicado a propostas para a saúde, Geraldo Alckmin acusou o governo petista de ter interrompido ações do governo Fernando Henrique Cardoso, como os mutirões da saúde. "O ministro Serra (ex-ministro da Saúde) fazia, eu fiz como governador e o Lula abandonou", afirmou. O candidato ironizou a declaração de Lula de que a saúde no Brasil está "quase perfeita". Alckmin prometeu começar pelo Rio de Janeiro a recuperação dos hospitais federais e ampliar o programa de distribuição gratuita de remédios, levando "para todas as regiões do Brasil". Tanto Alckmin como Lula levaram para a TV os aliados eleitos governadores no primeiro turno.

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