Em protesto, chinês dá lance em leilão de Yves Saint Laurent, mas não paga

Após ofertar o preço máximo por duas cabeças de bronze - um coelho e um rato - no leilão da coleção de Yves Saint Laurent e de seu companheiro Pierre Bergé, na semana passada, em Paris, o especialista em arte Cai Mingchao revelou que não pretende pagar pelas obras chinesas. Ele afirmou que deu o lance de US$ 35 milhões "em nome do povo chinês", que teve muitas obras saqueadas por estrangeiros nos séculos 19 e 20. Mingchao é gerente da galeria Xinhe, na Província de Fujian. "Esse valor não pode ser pago", disse o especialista. A atitude de Cai, que cheira a revanche, repassa o problema para a casa de leilão Christie?s. Consultada a partir de seu escritório em Hong Kong, a empresa disse que analisa o assunto. A Christie?s ressaltou que não entrega objetos leiloados sem receber antes o dinheiro.O golpe inesperado - no passado os colecionadores chineses, tanto privados como públicos, compravam bens roubados, mas pagavam depois - foi uma iniciativa particular, mas conta com o apoio do Fundo Nacional de Tesouros, organização não-governamental ligada ao Ministério da Cultura da China. Foi aplaudido também por um representante do governo chinês, Zhao Qizheng. Ele afirmou que o lance oferecido por Mingchao é "uma lição para o resto do mundo, incluindo os franceses".Qizheng declarou que o leilão fez os chineses se perguntarem se "a cultura francesa estava enferma", permitindo que bens roubados fossem vendidos. Desde 2002, o Fundo Nacional de Tesouros da China tenta recuperar peças de arte roubadas que circulam no mercado mundial de arte.

Antonio Broto, Agência Efe, O Estadao de S.Paulo

03 de março de 2009 | 00h00

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