Em Recife, festa tem discurso político e forró

O 1º de Maio promovido pela CUT no Recife foi uma festa movida a discurso político e muito forró. Teve como uma de suas principais reivindicações o fim da impunidade do assassinato da líder sindical paraibana Margarida Alves, que morreu com um tiro no rosto em 1983. Realizado na praça do Marco Zero, área portuária da cidade, o ato pediu - em faixas, folhetos e falação - a valorização do salário mínimo, emprego e renda, pagamento integral da correção do FGTS e reajuste do salário dos servidores públicos, além da abertura da CPI da Corrupção e da cassação dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL), José Roberto Arruda (PSDB) e Jáder Barbalho (PMDB).No fundo do enorme palco montado na praça, estava escrito em letras garrafais "Chega de corrupção, violência e desemprego/ Fora FHC e FMI". O presidente estadual da CUT, Jorge Perez, disse que este Primeiro de Maio era marcado pela indignação do trabalhador diante do "salário mínimo defasado, do desemprego, do mar de lama em que está afundado o Governo Federal e das fraudes que envolvem o Senado".A Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), o Movimento dos Sem-Terra, as Mulheres contra o Desemprego foram algumas das entidades que apoiaram o ato, além da Igreja.Trabalhadoras rurais da Fetape chegaram ao Marco Zero em passeata carregando cruzes com os nomes de líderes sindicais assassinados. À frente, o retrato de Margarida Alves. Ela foi morta com um tiro no rosto na porta da sua casa, em Lagoa Grande.Depois de 11 vezes adiado, o julgamento de um dos envolvidos na sua morte, José Buarque de Gusmão, deverá ocorrer no dia 11 de junho na Paraíba. "Queremos que ele seja condenado como um símbolo do fim da impunidade desse crime", afirmou o assessor de imprensa da Fetape, Rodrigo Cortez.Os prefeitos do Recife, João Paulo (PT), e de Olinda, Luciana Santos (PC do B), eram esperados no ato que reuniu 4 mil pessoas (de acordo com os organizadores) e 2 mil (segundo a PM). Animaram a festa os forrozeiros Genaro e Walquíria, o ex-Cascabulho Silvério Pessoa e a Orquestra Sinfônica do Recife.

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