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Em Recife, Galo da Madrugada tem protesto e casamento em trio elétrico

O cantor de frevo Nonô Germano e a noiva disseram o 'sim' em uníssono com a multidão de foliões; no desfile, 'Dilma' lançou o 'Bolsa Mamatinha'

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2015 | 15h28

RECIFE – Amante do carnaval, o cantor e compositor de frevo Nonô Germano, 45 anos, se casou às 14h30 (horário de Brasília) deste sábado, 14, com Daniela Freire, 41, em cima de um trio elétrico no Galo da Madrugada. O seu trio parou ao chegar na Rua da Concórdia, em frente ao camarote oficial da agremiação. Lá estava o juiz de direito Abner Apolinário, que oficializou a união sob os aplausos de uma multidão. Os foliões disseram "sim" em uníssono com os noivos..

O juiz chegou ao trio por uma espécie de ponte, que é armada para os duetos entre os cantores que animam os trios e os artistas convidados do camarote. "É uma circunstância inusitada, mas o casamento é como qualquer outro", minimizou Apolinário. Os noivos vestiam branco com adereços carnavalescos - ele de bermuda, ela de vestido curto. O buquê era de pequenas sombrinhas de frevo, ao invés de flores.

Nonô é filho de Claudionor Germano, um dos ícones do carnaval pernambucano e dos maiores intérpretes do compositor Capiba (1904-1997), de quem gravou 132 canções, entre elas frevos famosos que resistem ao tempo como “Oh, Bela” e “Madeira de Lei que o cupim não rói”. Claudionor estava presente e aprovou a escolha do filho: "Esse casamento vai ficar na história do Galo da Madrugada". Aos 83 anos, ele ainda cumpre agenda de shows neste carnaval, mas está passando o bastão para o filho.

Feliz, Nonô festejou seu casamento em meio a outras comemorações: seus 30 anos de carreira – ele gravou seu primeiro frevo aos 14 anos - e o lançamento do disco “A Voz do Frevo” que reúne inéditos e clássicos. O disco, o terceiro do projeto “Frevo Música Prá Pular Brasileira” (FMPB) traz um encarte com a última obra do artista plástico e seu tio Abelardo da Hora (1924-2014), e faz um apanhado da sua carreira, com algumas regravações de frevos, incluindo elementos do funk carioca.

O músico tem uma banda de 12 músicos, “A Tropa de NÔ” e gosta de “repaginar” alguns frevos para atrair o público jovem, nem sempre afeito ao ritmo 100% pernambucano. “Empunho a bandeira”, diz ele.

Depois do casamento, o trio de Nonô seguiu o percurso de seis quilômetros pelos bairros centrais de Santo Antonio e São José. 

Protesto. A administradora Flávia Porpino fez sucesso na concentração do Galo ao se fantasiar de Dilma Rousseff e lançar o programa "Bolsa Mamatinha", que, segundo ela, beneficiará a quem não quiser trabalhar. O kit que ela carregava era composto por uma bolsa e uma chupeta. 

Durante o desfile, "Dilma" encontrou o ex-presidente Lula - fantasia de José Bezerra da Silva. O folião carregava uma mala em protesto contra o mensalão, como ficou conhecido o esquema de compra de votos de parlamentares entre 2005 e 2006.

A festa se completou com a chegada do bloco Propino Brá$, com 46 componentes vestidos de frentistas de posto de gasolina, carregando mangueiras cheias de dinheiro (notas xerocadas) e cantando "Oh, Dilma, eu quero, oh, Dilma, eu quero mamar; dá a propina para Pasadena comprar".

Homenagem. Trinta trios animaram o 38º desfile do Galo. Fafá de Belém, Elba Ramalho, João Morro, Maestro Forró, André Rio e Quinteto Violado foram as atrações. No camarote oficial do Galo, os convidados Margareth Menezes, Lula Queiroga, Silvério Pessoa e Saulo Fernandes - do axé baiano - deram canja cantando em dueto com alguns músicos que passavam nos trios.

O escritor Ariano Suassuna (1927-2014) e o ex-governador Eduardo Campos (1965-2014) foram os homenageados do Galo neste ano, junto com os compositores Luiz Gonzaga, o rei do baião (1912-1989), e Carlos Fernando (1938-2013), responsável pelo projeto Asas da América, que ajudou a popularizar o frevo na voz de intérpretes da MPB. “Asas da América, asas para o frevo” foi o tema do desfile.

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