Em resposta ao acidente, governo tenta desafogar Congonhas

Três dias após o acidente com o vôo3054 da TAM, o governo anunciou nesta sexta-feira medidas paradesafogar o aeroporto de Congonhas, incluindo a restrição deseu uso como ponto de conexões e a construção de um novoaeroporto na região da Grande São Paulo. Também foram impostas restrições à operação de vôosfretados e não-regulares em Congonhas e ao peso das aeronavesque podem pousar na pista principal do aeroporto. "Estamos alterando a vocação do aeroporto (de Congonhas).Esse aeroporto.... não pode ser usado para fazer conexões",disse a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ementrevista à imprensa após reunião do Conselho de Aviação Civil(Conac). Ela acrescentou que consumidores e empresas terão de se"acostumar às novas restrições". A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) terá 60 diaspara redistribuir as autorizações dos horários dos vôos com ascompanhias de modo a tentar manter em Congonhas apenas os vôosque decolam de São Paulo para uma determinada cidade e depoisvoltem para a capital paulista, sem novas conexões.A Anac também deverá buscar renegociar os acordos multilateralde vôos internacionais para tirar dos principais aeroportos deSão Paulo --Congonhas, Guarulhos e Viracopos-- o maior númeropossível de chegadas e decolagens. Segundo o diretor-geral do Departamento de Controle doEspaço Aéreo, Ramon Cardoso, o aeroporto do Galeão, no Rio deJaneiro, teria condições de assumir, em parte, o papel decentralizador de conexões, mas ele afirmou que cuidados serãotomados para não sobrecarregar nenhum aeroporto. Na terça-feira, um avião A320 da TAM explodiu ao se chocarcontra prédios vizinhos ao aeroporto de Congonhas, em SãoPaulo, após tentar pousar. Foi o pior desastre aéreo dahistória brasileira e cerca de 190 pessoas morreram, entrepassageiros a bordo e pessoas que estavam no prédio da TAMExpress, atingido pela aeronave. "Obviamente estamos sensibilizados diante desse desastre...Achamos que, com a caixa preta, razões serão objetivadas",afirmou Rousseff. Segundo a ministra, as medidas anunciadasnesta sexta já estavam em estudo e a reunião do Conac já haviasido marcada há um mês. NOVO AEROPORTO A Anac e o Comando da Aeronáutica foram instruídos aestudar, em 90 dias, qual a melhor localização para instalar umnovo aeroporto na Grande São Paulo. Rousseff disse que ogoverno não comentará o assunto até que uma decisão seja tomadapara não estimular a "especulação imobiliária". O tráfego em Congonhas foi limitado a 33 vôos por hora --omovimento atual é de 44 vôos por hora, sendo seis de vôosnão-regulares, incluindo jatos executivos. A Anac deverádefinir quanto do novo movimento por hora poderá ser ocupadopor vôos não-regulares, mas a idéia é que haja uma redução dovolume atual. O Conac também restringiu o peso das aeronaves que podematerrissar na pista principal de Congonhas. O limite, que variade acordo com o modelo do avião, foi igualado ao das pistassecundárias e, segundo Rousseff, pode significar que aeronavesgrandes não possam aterrissar se estiverem voando com suacapacidade de passageiros completa. Dilma disse também que o Conac recomendou o estudo porparte dos ministérios da Fazenda e do Planejamento paraabertura de capital da Infraero, mantido o controle estatal,além da participação da iniciativa privada em novos aeroportos. WALDIR PIRES O ministro da Defesa, Waldir Pires, que comanda o Conac ecuja saída é dada praticamente como certa no Palácio doPlanalto, deu início à entrevista lendo, quase num sussurro, asmedidas que já haviam sido distribuídas à imprensa em notaminutos antes. O restante da entrevista foi conduzida porDilma. Questionado se ainda permanecerá no cargo, Pires disse quea decisão cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, masdestacou, sobre seu papel na crise aérea, que "o ministro daDefesa não é um administrador do tráfego aéreo, não temcompetência para isso".

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