Presidência da República
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Em Roraima, Temer visita abrigos e reitera impossibilidade de fechamento de fronteira

Presidente esteve em Boa Vista, onde se reuniu com a governadora do Estado. 'Não vamos fechar a fronteira, isso está descartado e todos estão de acordo com isso', disse

Cyneida Correia, Especial para o Estado

21 Junho 2018 | 18h15

 BOA VISTA - Descartando de vez a possibilidade de fechar a fronteira do Brasil com a Venezuela, o presidente Michel Temer encerrou de forma antecipada sua visita a Roraima nesta quinta-feira, 21. “Viemos para mostrar ao mundo de forma simbólica, esse sentido humanitário que o Brasil traz consigo. Não vamos fechar a fronteira, isso está descartado e todos estão de acordo com isso”.

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O mau tempo impediu que o presidente fosse para a fronteira de Pacaraima, que fica a 219 quilômetros da capital Boa Vista, onde visitaria o recém-inaugurado centro de triagem, local por onde passam os venezuelanos que fogem da crise no país vizinho.

A comitiva que acompanha o presidente da República tinha a presença dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Joaquim Silva e Luna (Defesa), Gilberto Ochi (Saúde), Gustavo do Vale Rocha (Direitos Humanos) e Gracie Mendonça (AGU), Gilson Libório de Oliveira Mendes (Justiça - substituto), além da governadora de Roraima Suely Campos (PP) que entrou com ação na justiça para que o governo federal fechasse a fronteira por onde passam cerca de 800 venezuelanos todos os dias.

Após sair da base, Temer foi para o abrigo Nova Canaã, um dos oito abrigos públicos para venezuelanos em Boa Vista e tem pouco mais de 400 moradores. Recebido com aplausos fez uma visita de meia hora ao local onde falou com a imprensa e voltou a afirmar que não existe nenhuma possibilidade da fronteira com a Venezuela ser fechada.

“Quis muito conhecer esses abrigos pessoalmente e vamos manter o acolhimento dos venezuelanos sem deixar de atender as postulações que são levadas permanentemente ao governo federal por Roraima. Estamos conversando e vou examinar com carinho e atenção as demandas de Roraima”.

Temer também sancionou a Medida Provisória assinada em fevereiro deste ano que prevê ajuda aos venezuelanos e define ações de assistência emergencial a eles. Assinou ainda uma ordem de serviço para a construção de um centro de radioterapia no Hospital Geral de Roraima que deve ser concluído no próximo ano.

 Desde o início da Operação Acolhida, nove abrigos para imigrantes venezuelanos foram abertos abrigando cerca de 4,2 mil venezuelanos, a maioria solicitantes de refúgio ou residentes temporários no Brasil. No entanto, segundo mapeamento feito no início do mês pela prefeitura de Boa Vista, somente na capital, já existem 25 mil venezuelanos residindo.

Demandas

O primeiro compromisso de Temer em terras roraimenses foi um encontro reservado com a governadora de Roraima em uma sala da Base Aérea assim que desembarcou da aeronave.

Suely Campos que é do Progressistas entregou dois ofícios ao presidente, listando as demandas do Estado para mitigar os efeitos da crise, e voltou a pedir o ressarcimento de R$ 184 milhões referentes aos gastos já efetuados pelo Estado para atender os imigrantes além de pedir a construção de um Hospital de Campanha nas instalações do Exército Brasileiro para atender exclusivamente os venezuelanos.

"É importante a sensibilização do Governo Federal. É necessário criar um Hospital de Campanha em Boa Vista para atender aos venezuelanos e desafogar as unidades de saúde que encontram-se superlotadas", disse. O presidente Temer confirmou o recebimento dos ofícios do Governo de Roraima e se comprometeu a analisar os pedidos, considerando a gravidade da crise migratória.

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