Em Salvador, filhos de ambulantes passam carnaval em abrigos

Conselho Tutelar proíbe a presença de crianças nos desfiles da cidade; no Circuito Osmar, escola municipal é usada pela prefeitura

TIAGO DÉCIMO, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 17h50

SALVADOR – Foi em uma abordagem de agentes do Conselho Tutelar, no domingo, que o vendedor ambulante Lázaro Sacramento dos Santos, de 41 anos, soube que não poderia manter em sua barraca, instalada na Praça Castro Alves, no trecho final do Circuito Osmar (Campo Grande), em Salvador, os três filhos que o acompanhavam no trabalho desde o primeiro dia do carnaval: um menino de 10 anos, uma menina de 8 e um bebê de 1 ano e 4 meses. “Não tinha com quem deixar as crianças”, explicou.

Santos, porém, foi convencido pelos agentes a levar os filhos para um abrigo montado pela Prefeitura em uma escola municipal a cerca de 500 metros dali. Agora, só volta a vê-los na quarta-feira – apesar de as visitas estarem liberadas, bem como a possibilidade de retirada das crianças ao fim de cada dia de trabalho. “É muito melhor que eles fiquem”, avalia o vendedor. “Aqui eles vão ter atenção que eu não poderia dar, além da comida. Se eu soubesse que isso existia antes, já tinha vindo trazer as crianças.”

O abrigo que recebeu os filhos de Santos está instalado na Escola Municipal Permínio Leite, nas proximidades do Circuito Osmar, e tem capacidade para receber 100 crianças – havia 43 delas no domingo. A prioridade de atendimento no local é de filhos de ambulantes com entre 0 e 6 anos, mas quando há pequenos com irmãos maiores, eles ficam juntos. Outra escola na área recebe os menores de entre 7 e 17 anos. No Circuito Dodô (Barra-Ondina) há esquema semelhante, em duas outras escolas.

A iniciativa teve início, de forma experimental, no ano passado. Nos espaços, são oferecidas às crianças seis refeições por dia, recreação e atividades educativas. Elas dormem em salas de aula adaptadas, nas quais foram colocados colchões novos.

Em um dos “quartos” da Escola Permínio Leite, no qual dormem as meninas, há ar-condicionado. Ali, duas equipes de 30 pessoas, entre educadores, assistentes sociais e auxiliares da própria Prefeitura, se revezam a cada 12 horas no local. “É uma iniciativa para auxiliar os ambulantes e retirar as crianças de situações de risco e de trabalho forçado”, explica a coordenadora da unidade, a assistente social Fabiana de Carvalho Mota. “Aqui, além de ter a alimentação e os cuidados de higiene, elas podem se divertir o dia inteiro. Fizemos ate um baile de carnaval para elas. Quando chega a quarta-feira, muitas não querem ir embora.”

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