Renata Farias/Estadão
Renata Farias/Estadão

Em Salvador, terra natal de Irmã Dulce, devotos se emocionam com canonização

Fiéis se reuniram no santuário que agora leva o nome da santa brasileira para assistir à cerimônia; sergipana agraciada com o primeiro milagre reconhecido pela Igreja esteve presente

Renata Farias, especial para o Estado

13 de outubro de 2019 | 11h00

SALVADOR - O Santuário de Irmã Dulce, em Salvador, já estava cheio quando o dia começou a nascer neste domingo, 13. Devotos do "Anjo Bom da Bahia" se reuniram em vigília, iniciada na noite de sábado, 12, para assistir à canonização da primeira santa brasileira, transmitida em um telão para a comunidade. Emoção e alegria tomaram conta do ambiente, com aplausos e gritos a cada vez que o nome de Maria Rita Lopes Pontes era citado.

Entre os presentes, estava Claudia Santos, de 50 anos, que foi agraciada pelo milagre atribuído à Santa Dulce dos Pobres, como é conhecida agora.

Moradora de Sergipe, ela se recuperou de uma grave hemorragia pós-parto, cujo sangramento foi subitamente interrompido. A comprovação deste milagre levou à beatificação de Irmã Dulce, em 2011, estágio anterior à canonização.

Para Entender

Irmã Dulce, a nova santa brasileira

Religiosa nascida em Salvador ficou famosa pelas ações de caridade e pelo trabalho com a população carente

"Estou aqui desde as 20 horas de ontem. Eu não poderia deixar de vir. A emoção é muito grande de relembrar tudo aquilo que passou, hoje a minha fé é muito maior", afirmou ao Estado. "Depois do que passei, vi que nós realmente não somos nada."

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Depois do que passei, vi que nós realmente não somos nada
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Claudia Santos, agraciada pelo primeiro milagre reconhecido de Irmã Dulce

Claudia viajou para a Bahia acompanhada de Ana Lúcia Aguiar, 55 anos, que esteve diretamente ligada ao processo de beatificação da santa brasileira. Natural do Ceará, ela conta que conheceu Irmã Dulce durante um período que morou em Salvador e que milagres foram operados na própria vida.

"Quando meu primeiro filho tinha 1 ano e 8 meses, eu passei por um momento difícil com ele por conta de um acidente doméstico. Em um momento, com ele no colo, eu senti como se estivesse segurando mãos finas", relatou. "Quando voltei a mim, vi um vulto saindo, vestido com hábito (traje religioso)."

Anos depois, ela pode tocar as mãos de Irmã Dulce em seu leito de morte, o que deu a confirmação de quem a visitou naquela ocasião.

"Naquele momento, agradeci e disse que seria uma serva de Deus e de Irmã Dulce, para divulgar a obra e santidade dela."

Ana Lúcia passou os anos seguintes difundindo as obras da freira baiana por onde passava e foi a responsável por apresentar o milagre operado em Claudia à comissão das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) que buscava a canonização.

"Eu sinto que Deus me fez instrumento da obra e santidade de Irmã Dulce. Ela sempre foi minha santinha. Depois de viver esse momento (da canonização), se amanhã chegar o meu dia, eu vou realizada", acrescentou.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Ela sempre foi minha santinha. Depois de viver esse momento (da canonização), se amanhã chegar o meu dia, eu vou realizada
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Ana Lúcia Aguiar, divulgadora do trabalho de Irmã Dulce

Em todos os cantos do santuário, era possível encontrar histórias pessoais com Irmã Dulce. Devotos faziam emocionados relatos de fé - a exemplo de uma pedra nos rins que se reduziu sem intervenção cirúrgica, surpreendendo os médicos - e narrativas de convívio com a freira baiana.

É o caso da enfermeira Gildete Brasil, de 76 anos, que estudou nas Osid, a entidade filantrópica fundada por Irmã Dulce em 1959. 

"Eu tive o prazer de fazer meu curso de enfermagem com ela, nos anos de 1967 e 1968. Ela abraçava as pessoas, os doentes, conversava, beijava", disse, emocionada, Gildete. "É isso mesmo que mostram. Ela pegava os doentes no Largo de Roma e levava para o hospital dela, que era simples, bem diferente desse hospital enorme que é hoje."

Santuário Santa Dulce dos Pobres

Apesar de já reconhecido pelo público como uma homenagem a Irmã Dulce, apenas hoje o santuário passou a levar o nome da baiana. A transmissão do evento no Vaticano foi interrompida por um breve momento para a leitura de um decreto que transformava o Santuário da Imaculada Conceição da Mãe de Deus em Santuário Arquidiocesano Santa Dulce dos Pobres.

De acordo com dom Marco Eugênio, bispo auxiliar da arquidiocese de Salvador, o decreto apenas torna oficial o que já era uma realidade para o povo baiano. 

"Esse santuário foi colocado em nome de Nossa Senhora da Conceição por uma questão de não poder ter o nome de uma beata", explicou. "Essa terra da Bahia é capaz de santificar as pessoas. Ela (Irmã Dulce), que se santificou aqui na graça de Deus, convida cada um de nós a viver nessa santidade e a permitir que essa mesma graça de Deus realize em nós a obra que nela realizou."

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

  • Novembro Azul: entenda a campanha de prevenção do câncer de próstata
  • DPVAT: o que é e como funciona o seguro obrigatório?
  • Yuval Harari: “Algoritmos entendem você melhor do que você mesmo se entende”

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.