Em São Paulo, até ponto de ônibus bloqueia ciclovia

Falta de sinalização e pavimento em mau estado são algumas das falhas nas faixas exclusivas na cidade

MOACIR ASSUNÇÃO, CAROLINA SPILLARI e BRUNO TAVARES, O Estadao de S.Paulo

26 de julho de 2008 | 00h00

Numa escala de zero a dez, as ciclovias paulistanas teriam dificuldade de atingir a média para passar de ano. Com 8,2 quilômetros de extensão, a do Parque do Carmo foi a única entre as cinco percorridas de bicicleta pelo Estado que apresenta boas condições. A via é usada principalmente nos fins de semana pelos freqüentadores da maior área verde da zona leste. Na da Avenida Faria Lima, até um ponto de ônibus foi instalado no início do traçado, no Largo da Batata.No caso da ciclovia do Carmo, o traçado dá a volta no parque, não há obstáculos e a sinalização é boa. O comerciante e ciclista Alberto Teixeira, que vai todos os fins de semana ao parque, diz que gosta de andar por lá. "Dá para pedalar muito bem."Nem a ciclovia do Parque do Ibirapuera, em uma das áreas verdes mais procuradas da cidade, sairia ilesa de uma avaliação mais criteriosa. Em alguns trechos, o pavimento vermelho que deveria delimitar a área de circulação de bicicletas está apagado, o que torna o passeio arriscado para ciclistas e pedestres. Ao longo dos 5,5 quilômetros de extensão da via faltam placas de sinalização nos trechos em que a aglomeração de pessoas costuma ser maior.ABANDONOPor motivos opostos, as duas principais ciclovias de rua - das Avenidas Faria Lima e Sumaré - estão abandonadas. A primeira foi parcialmente desativada há dois anos, para abrigar os pontos de ônibus do Largo da Batata, removidos para dar lugar ao canteiro de obras da Linha 4-Amarela do Metrô. Diante da falta de espaço para as paradas, a Prefeitura utilizou a ciclovia.Na Sumaré, o problema é falta de conservação. As raízes das árvores do canteiro central destruíram o pavimento do traçado de 1,4 km entre o Parque Antártica e a Rua Henrique Schaumann. A situação é tão crítica que, em alguns pontos, a sensação é de que se está numa pista de rali. E não há sinalização para separar a pista de caminhada, usada pelos moradores da região, da ciclovia. Sem opção, os ciclistas circulam na faixa exclusiva para motocicletas, expondo-se a riscos.PARELHEIROSA ciclovia de Parelheiros, na Estrada da Colônia, extremo da zona sul, está em condições razoáveis, apesar da pequena extensão, de 1,8 km, o que diminui sua eficácia. Inaugurada em fevereiro deste ano, liga o bairro da Colônia ao Terminal Parelheiros de ônibus. A ciclovia é separada da pista por blocos de concreto pintados de branco. O pequeno espaço da via exclusiva inibe os ciclistas - muitos preferem circular pela pista, mesmo correndo risco de atropelamento. É o caso do auxiliar de manutenção Pedro Rodrigues de Souza, de 26 anos. "Não dá para andar na ciclovia, você tem de ir muito devagar", reclamou. Embora haja um cartaz sobre um bicicletário no terminal, o equipamento ainda não foi instalado.Na Radial Leste, entre as estações Itaquera e Tatuapé, uma nova ciclovia, a Caminho Verde, toma forma. O piso vermelho, a ser compartilhado com pedestres, está parcialmente instalado, e árvores foram plantadas em volta. A via, que passa ao lado do muro do Metrô, terá 12,2 km de extensão e 2,5 metros de largura. Há, no entanto, algumas interrupções no traçado, que deverão trazer dificuldades aos ciclistas, que precisarão enfrentar a temida Radial Leste e seus carros para prosseguir. Segundo o gestor André Goldman, da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, a obra deverá ser concluída ainda neste ano. Até a finalização, deverá ser pintada, sinalizada e provida de travessias. "Estamos atendendo a uma demanda reprimida da população no trecho entre Tatuapé e Itaquera." O custo da obra ficou em cerca de R$ 9 milhões. Na zona norte, no canteiro central da Avenida Inajar de Sousa, há cerca de 4 quilômetros de ciclovia. Outro pedaço está em obras, que deverão ser concluídas até o fim do ano. Com a conclusão das obras, serão 7 quilômetros de áreas exclusivas para ciclistas.

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