Em seminário sobre aids, Marta não fala nem sobre a doença

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, se recusou a fazer qualquercomentário sobre a decisão tomada pela Justiça, na última sexta-feira, em primeirainstância, de que o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é inconstitucional. Já foram concedidas pelo menos três liminares em mandados de segurança contra aalíquota que entrou em vigor este ano na cidade.A prefeita, participou no início desta noite, da abertura do seminário "São Paulo discuteaids nas grandes cidades", que reúne até quarta-feira, representantes das maiorescidades do mundo, como Nova York, Beijing, Bancoc, Bombain, Cidade do México, Buenos Aires e Johanesburgo, entre outras, para debater o papel das cidades na prevençãoe tratamento da doença. Também não falou sobre o seminário, deixando seus comentários somente para o discurso de abertura.Durante o discurso, Marta afirmou que o combate da doençanecessita de uma política ampla e complexa e afirmou que dentro da política dereconstrução do Sistema Único de Saúde (SUS), o trabalho de combate à aids tem sidomuito valorizado. Marta destacou que o município retomou a parceria com o Ministério da Saúde, noano passado, para voltar a receber verbas para a política da aids. "Em comparação com o ano de 2000, a prefeitura conseguiu aumentar a distribuição depreservativos de 1 milhão para 3 milhões", destacou. A prefeita chamou a atenção aindapara o projeto de distribuição de seringas, que desde setembro já alcançou mais de 1 mil usuários de drogas injetáveis em São Paulo. BalançoSegundo dados da organização do evento, desde 1980 até outubro de 2001, a cidade deSão Paulo registrou 46.889 casos de aids, dos quais 45.456 em adultos e 1.433 emcrianças. Predominam entre as categorias em exposição nos últimos cinco anos osheterossexuais, com 34,6%; homossexuais (23,6%) e usuários de drogas injetáveis, com 14%. Houve também um "envelhecimento" na idade média das pessoas que têm adoecido deaids nos últimos cinco anos. Entre homens, a faixa etária média subiu de 25-29 anos para30-39 anos e entre mulheres a faixa etária média subiu de 20-24 anos para 25-34 anos. De acordo com o coordenador nacional do programa DST/Aids, Paulo Teixeira, SãoPaulo concentra 22% dos casos de aids no Brasil. "E o nosso principal desafio agora écombater o avanço da doença nos centros mais pobres do País", afirmou.

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