Em SP, 3 ''mulas'' presas por dia; 40% são mulheres

Até a primeira semana de setembro, 313 pessoas foram presas ao tentar embarcar com cocaína no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, o mais movimentado do País - em agosto, a média foi de três detidos por dia. A três meses do fim do ano, o número já ultrapassa em 41,6% as prisões feitas em 2008 e é 80,9% maior do que em 2007. A participação feminina no crime é cada vez maior. Há três anos, elas eram 18% dos estrangeiros presos por tráfico em Cumbica. Hoje, são 40%. A proporção é a mesma entre os estrangeiros flagrados no Rio.

, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2009 | 00h00

Segundo o delegado chefe da Polícia Federal em Cumbica, Mário Menin, o aumento do uso de "mulas" está ligado à desarticulação de uma quadrilha que atuava no envio da droga em grandes quantidades em aviões de carga, a partir de Cumbica. Mais de 60 pessoas foram presas na operação, deflagrada em 10 de março, entre funcionários do aeroporto, da Infraero, das companhias aéreas e terceirizados. A redução da droga apreendida, apesar do número maior de presos, é um sinal. "Isso mostra que as "mulas" têm sido mais usadas. Elas não conseguem carregar grandes quantidades", diz o delegado.

Por sua rapidez, o transporte aéreo ainda é o meio mais usado pelos traficantes. "Eles tentam disfarçar as rotas; às vezes atravessam as fronteiras via terrestre para voar de outro país para Europa e Ásia", diz. Desde 2007, a PF atua com inteligência e agentes à paisana infiltrados entre os passageiros. Enquanto a reportagem fazia a entrevista, um espanhol de 42 anos foi detido ao tentar embarcar para Amsterdã com cocaína embalada a vácuo em finos pacotes colados ao corpo.

A maioria dos presos por tráfico internacional de drogas no Rio também é de "mulas", segundo pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "O sistema penal só atinge os mais vulneráveis, que estão na ponta da cadeia", diz a pesquisadora Luciana Boiteux, professora de Direito Penal da UFRJ. "Enquanto ajudam a lotar as cadeias, os chefões do tráfico seguem impunes."

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