Em SP, 4 também foram flagrados roubando donativo

Soldados e sargento de SC deverão ser julgados por crime militar

, O Estadao de S.Paulo

17 de dezembro de 2008 | 00h00

A exemplo do que ocorreu em Santa Catarina, onde voluntários e soldados do Exército foram flagrados roubando produtos doados às vítimas das enchentes naquele Estado, em São Paulo, quatro funcionários da Defesa Civil da Prefeitura foram pegos em flagrante furtando alimentos que seriam encaminhados ao Sul. O furto aconteceu no dia 8, no centro de triagem no Bom Retiro, região central.Na mesma data, a Prefeitura registrou um boletim de ocorrência. Um deles, que não era servidor de carreira, foi exonerado. Os demais foram afastados e estão respondendo a processo administrativo. "Mas, ao final, serão demitidos, eles confessaram e as provas são incontestáveis", afirmou Edsom Ortega, secretário executivo de Segurança Urbana. O furto também foi registrado pelas câmeras de monitoramento. "Eles furtaram só alimentos", afirmou o secretário, que não soube informar a quantidade.Ele teme que a população pense que não existe controle das doações. "Temos um monitoramento rigoroso, tanto é que conseguimos flagrar a ação. Esse tipo de trabalho tem risco em qualquer lugar do mundo." Até agora já foram encaminhadas para Santa Catarina mil toneladas de doação em 50 caminhões.CRIME MILITAREm Santa Catarina, os dez soldados e um sargento flagrados, em vídeo, furtando donativos deverão ser julgados por crime militar. A informação é do general Manoel Luiz Narvaz Pafiadache, comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada de Santa Catarina. Segundo o oficial, a sindicância foi descartada e o caso será conduzido, preliminarmente, por meio de Inquérito Policial Militar (IPM). Atualmente, os oficiais cumprem expediente interno e, segundo Pafiadache, vão responder ao processo em liberdade.Após a conclusão do inquérito, eles poderão ser, conforme a denúncia da promotoria, indiciados por crime militar ou por transgressão. Se forem indiciados por crime, vão se submeter ao Código Penal Militar (CPM). Nesse caso, a pena é de até 6 anos de prisão. Se a promotoria entender que o ato configura uma transgressão, eles poderão se submeter ao que prevê o Regulamento Disciplinar do Exército (RDE), com penas mais brandas. Na noite do furto, 13 homens do 23º BI estavam de serviço em um dos pavilhões da Vila Germânica, principal centro de triagem de donativos destinados aos flagelados de Santa Catarina. Os oficiais se apropriaram de produtos como tênis, roupas e até sutiã.

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