Em SP, aperto nos trens se repete

Para viajantes, vagão é ?lata de sardinhas?

O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2001 | 00h00

Os passageiros correm em direção à plataforma da Estação Brás da CPTM e, às 18h15, quando o trem chega, disputam espaço nas portas dos vagões para conseguir um assento. É a rotina do fim e começo do dia, nos trens da Linha F, que liga o Brás a Calmon Viana, em Poá. Durante viagem feita em março, do Brás a Ermelino Matarazzo, o próprio governador José Serra (PSDB), classificou o serviço oferecido na linha como "precário e inaceitável". Ontem não foi diferente. Mas muitas pessoas diziam que o trem não estava "tão" lotado. "É sexta-feira, dia de o pessoal ir para a gandaia", diz o assistente de manutenção Ademir Virgílio da Silva, de 22 anos. É só nesse dia que ele consegue tomar o trem na Estação Tatuapé. "Nos outros, pego sentido Brás e volto rumo ao Itaim (Paulista)", diz. "Isso aqui parece uma lata de sardinhas", completa o pedreiro José Danilo Souza Silva, de 24 anos. Enquanto espera por cerca de dez minutos o último vagão do trem eletrocarro 550 - reformado e entregue em março - ficar cheio e partir, a reportagem ouve um desafio: "Quero ver você entrar na Estação Itaim (Paulista) às 6h50. Duvido que vai conseguir", diz a balconista Rizoletha de Almeida. "Tem que melhorar, desse jeito é humilhação." A Assessoria de Imprensa da CPTM afirma que já foi autorizada a licitação para a compra de 20 trens para a Linha F - a serem entregues até 2010. Acrescenta que haverá três novas estações até dezembro. A viagem prossegue, são cerca de 40 minutos até a Estação Itaim Paulista. O calor fica mais forte. O suor escorre. Os eletrocarros têm ventilação mecânica e, mesmo com as pequenas janelas abertas, a sensação é de se estar numa sauna. Muitos reclamam que o primeiro vagão é lugar de usuários de drogas. A reportagem troca de vagão. Ao entrar lá, o cheiro de maconha ainda está presente, mas não há ninguém fumando. Pontas de cigarro e latas de cervejas estão espalhadas pelo chão. Segundo a Assessoria da CPTM, nas seis linhas, há 1,3 mil homens, que também combatem o uso de drogas. Dizem que a situação até melhorou: nos anos 80, entravam até bichos nos vagões.

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