Em SP, crescem 10 em 14 tipos de crime

Maior crescimento no trimestre é de latrocínio e a maior queda, de roubo a banco; homicídio tem pequena alta

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

01 de maio de 2009 | 00h00

Pela primeira vez desde 2003, a tendência da criminalidade é de alta em São Paulo. O registro no primeiro trimestre do recorde de roubos da série histórica iniciada em 1995 não é somente um pulso, um desvio na curva, mas a consolidação de uma perspectiva que se desenhava desde o primeiro trimestre de 2008, quando os delitos pararam de cair no Estado. De 14 indicadores de criminalidade divulgados ontem pela Secretaria de Segurança, 10 tiveram aumento. O maior crescimento em relação ao primeiro trimestre de 2008 foi o de latrocínios (36,2%) e a maior queda, a de roubos a banco (13,6%).O diretor da Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da secretaria da segurança Pública, Túlio Kahn, afirmou que vários fatores podem explicar a mudança, entre eles a crise econômica. "Ela ajudou a intensificar o aumento da criminalidade, mas não a explica todo o crescimento", disse. Cada ponto porcentual a mais nos índices de desemprego significa, segundo Kahn, um acréscimo de 5 mil roubos na estatística policial. Outros fatores, como o fim do cumprimento em regime integral fechado para o cumprimento das penas por crimes hediondos e até "um caráter cíclico da criminalidade" teriam influído na mudança.Os roubos no primeiro trimestre deste ano alcançaram 65.635 casos - o recorde anterior pertencia ao 2º trimestre de 2003 (64.282). Embora o índice tenha crescido em todas as regiões do Estado, o aumento foi maior em Presidente Prudente (76,9%), Bauru (59,7%) e Piracicaba (38,5%). O crescimento na capital foi o menor do Estado (12,6%). Segundo Kahn, excluindo o último trimestre de 2008, quando a greve da Polícia Civil prejudicou o registro de casos, os roubos crescem há três trimestres consecutivos, o que atesta a tendência de alta.HOMICÍDIOSAté mesmo os homicídios, que estavam em queda havia 29 trimestres consecutivos, registraram uma alta. O crescimento foi ínfimo - 0,7% no Estado. Na capital e na Grande São Paulo, os assassinatos continuaram a cair. A queda foi de cerca de 6% nas duas regiões. A taxa é menor do que a anterior, quando esse tipo de crime contava queda de até 14% por trimestre.A redução da velocidade de queda dessas duas regiões foi acompanhada pelo aumento de 11% registrado no interior. "Sabíamos que os homicídios não iam cair indefinidamente. Estamos próximos de uma estabilização desse tipo de crime no Estado", afirmou Kahn.COMBATEPara enfrentar essa nova realidade da criminalidade, o delegado-geral, Domingos de Paulo Neto, determinou anteontem à Polícia Civil que as investigações de roubos se tornem prioridade da instituição. Para tanto, o delegado-geral vai retirar homens de grupos especializados em patrulhamento da cidade, como o Grupo de Operações Especiais (GOE), e mandá-los a distritos policiais a fim de reforçar o trabalho de investigação.Já a Polícia Militar deve estabelecer como prioridade a apreensão de armas no Estado para diminuir os crimes violentos. Entre as medidas possíveis está a de premiar os policiais que mais apreenderem armas numa região. A mudança na gestão da secretaria também pode influir no combate aos crimes, diz Kahn, pois "quem assume o cargo traz um novo fôlego" - em março e abril, as chefias das polícias e da secretaria mudaram.O crescimento dos casos de crimes violentos foi acompanhado no primeiro trimestre deste ano pelo crescimento das prisões e das apreensões de armas no Estado. No período, o número de prisões foi 9,5% superior em comparação com 2008. E a apreensão de armas cresceu 4,5%. A maior apreensão de armas pode significar tanto uma melhora na atividade policial como aumento da circulação de armas de fogo no Estado. Normalmente, a diminuição da circulação de armas de fogo tem uma correlação direta com a queda de homicídios.Outros índices importantes de criminalidade aumentaram no trimestre. Esse foi o caso de estupro (33,2%), roubo de veículos (33%), latrocínio (36,2%) e furto (1,6%). Os homicídios culposos (sem intenção) caíram 7,3%, o que pode ter sido consequência da lei seca.NÚMEROS76,9% foi o aumentode roubo registrado em Presidente Prudente, o índice mais alto do Estado0,7% foi o índicede crescimento de homicídios no Estado, que estava em queda havia 29 trimestres6% foi a quedado número de assassinatos na capital e na Região Metropolitana, taxa menor que a anterior, que mostrava diminuição desse crime em até 14% por semestre

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