Em SP, crianças já são 50% dos atendidos em hospital

Em janeiro, Pérola Byington recebeu 154 vítimas, sendo que 37,6% tinha até 11 anos de idade

Karina Toledo, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2009 | 00h00

Quando o serviço de atendimento a vítimas de violência sexual do Hospital Pérola Byington foi idealizado, há 15 anos, o objetivo era assistir principalmente mulheres adultas e adolescentes. Mas há cerca de três anos o perfil dos pacientes começou a mudar e hoje mais de 50% são crianças com menos de 14 anos. Das 154 vítimas atendidas em janeiro, 37,6% tinham entre 0 e 11 anos - faixa etária de maior incidência - e 12,9% entre 12 e 14 anos. A faixa entre 15 e 20 anos corresponde a 18,8%. Todas as outras somadas não passam de 30%. As mulheres ainda são a maioria, com 87,6%, mas os meninos de até 14 anos já correspondem a 12,3%."Os índices não surpreendem, pois as crianças são o grupo mais vulnerável", afirma o coordenado do serviço, Jefferson Drezett. Segundo o médico, a violência sofrida por mulheres adultas é diferente daquela sofrida por crianças. "São, na maioria, casos únicos, praticados por agressor desconhecido e geralmente envolvem penetração. No caso de crianças, a situação é crônica, envolve mais sexo oral e masturbação e o agressor costuma ser alguém próximo", diz Drezett."Embora um hospital ginecológico não seja o local ideal para esses pacientes, as crianças começaram a aparecer. Como não havia outros serviços especializados, começamos a adaptar os procedimentos. Muitos serviços de saúde e delegacias, ao perceberem que o Pérola estava absorvendo a demanda, passaram a encaminhar as crianças para lá."Na opinião de Drezett, os casos de violência contra crianças estão se tornando mais comuns porque hoje há mais divulgação. "Há dez anos não se falava dessas coisas. Hoje todos estão atentos, desde professores e vizinhos, até os serviços de saúde. Temos uma CPI da Pedofilia e instrumentos de denúncia melhores", avalia. "Isso melhorou nossa capacidade de identificação, mas acredito que cerca de 90% dos casos ainda não chegam a público."

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