Beto Barata/AE
Beto Barata/AE

Em SP, piso salarial vai subir mais que inflação

Alckmin indica que novo valor pode passar dos R$ 600 propostos por Serra na eleição

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

Na esteira da indefinição em torno do salário mínimo federal, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), abriu ontem pela manhã um debate com sete centrais sindicais sobre o piso salarial paulista, hoje de R$ 560. O tucano disse que o valor será reajustado acima da inflação e "deve ser maior" que os R$ 600 propostos pelo ex-governador José Serra durante a campanha presidencial.

Alckmin escalou o secretário de Emprego, Davi Zaia, para convocar uma nova reunião com as centrais, ainda sem data definida, para consolidar o valor do novo mínimo paulista. O governador quer enviar um projeto de lei para a Assembleia no fim de fevereiro ou começo de março. "Mas, antes de mandar, vamos ouvir os sindicatos", acentuou. Ao ser perguntado se o reajuste seria igual à inflação ou se adotaria os R$ 600 defendidos por Serra, Alckmin respondeu: "Deverá ser maior que os dois".

A reunião com as centrais e o aceno sobre o novo mínimo serve também para marcar posição sobre a ala do PSDB que o antecedeu no governo. Durante o período eleitoral, as centrais realizaram eventos anti-Serra e produziram manifestos contra o ex-governador. Na contramão dessa postura, Alckmin fez afagos aos dirigentes das centrais durante o encontro e assumiu o compromisso de realizar reuniões periódicas. Como resultado, eles viram como positiva a interlocução com o novo governador.

"A última vez que eu tinha entrado no Palácio foi com Cláudio Lembo(que governou São Paulo de março a dezembro de 2006)", disse o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto. A representante da CUT na reunião, Juvândia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, fez ressalvas. "Achamos positivo o encontro, mas esperamos que, no dia a dia, na negociação com professores, isso se traduza em realidade."

Os dirigentes negaram que Alckmin tenha discutido valores na reunião de ontem, mas o tucano já acenou também com a possibilidade de adiantar, gradativamente, a data para o reajuste do mínimo paulista. A intenção é que a data final, hoje em abril, seja antecipada para janeiro, regredindo um mês por ano.

Participaram do encontro com Alckmin, além da CUT e da CGTB, representantes da Força Sindical, Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nova Central e Conlutas.

Conselhão. Além de acenar com reajuste para as centrais, Alckmin aproveitou o encontro com os sindicalistas para reafirmar que criará um Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), nos moldes do Conselhão do governo federal - que leva o mesmo nome -, para incrementar a interlocução com o sindicalismo paulista.

A proposta está nas mãos do secretário Sidney Beraldo, da Casa Civil do governo paulista, mas os moldes ainda não estão definidos. "Precisamos acertar se só participarão as centrais ou se, por exemplo, o Dieese entra também ou não. E avaliar ainda como será o equilíbrio entre a representação patronal, do governo e dos trabalhadores", afirmou o secretário de Emprego, Davi Zaia.

Por outro lado, dirigentes das centrais já cobram mais espaço em conselhos de empresas estatais e pedem a regulamentação de um projeto que crie uma "diretoria de participação".

O objetivo, afirmam, é ter ao menos uma cadeira para acompanhar de perto a situação dos trabalhadores do serviço público estadual.

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