Em SP, PT e PMDB unidos nas nomeações

Partidos que formam espinha dorsal do governo montam consórcio para lotear cargos federais

Julia Duailibi,

18 Agosto 2011 | 00h42

O PT e o PMDB, do vice-presidente Michel Temer, criaram um consórcio nas estruturas do Ministério da Agricultura e do Porto de Santos em São Paulo e implementaram um revezamento, em postos estratégicos, entre indicados das duas siglas.

Cargos de diretoria da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) foram divididos pelas legendas.

Aliados do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (PMDB), que pediu demissão ontem, ocuparam cargos estratégicos na Codesp, Conab e na Ceagesp. E com o aval do PMDB petistas também foram indicados para postos-chave nesses órgãos.

Ex-secretário executivo da Agricultura, Milton Ortolan já tinha no currículo passagens pela Conab e pela Codesp quando assumiu o posto este ano - ele pediu demissão há dez dias, depois de a revista Veja apontar ligação sua com o lobista Júlio Fróes.

Antes de migrar para o Ministério da Agricultura, Ortolan havia sido superintendente de Administração e Serviços da Codesp, por indicação de Rossi. O ex-ministro fora presidente da companhia entre 1999 e 2000, no governo FHC, mas manteve influência no porto até 2007, quando o PSB assumiu a Secretaria dos Portos. Ortolan também o acompanhou na Conab, onde foi chefe de gabinete quando Rossi a presidiu, em 2007.

Outro com passagens pela Codesp e pela Ceagesp é Jamil Yatim, ligado ao PT de Jundiaí. Assim como Ortolan, ele foi superintendente de Administração e Serviços da Codesp. Em 2007, foi demitido do cargo. Com o aval de Ortolan, migrou para a Ceagesp. Ocupa atualmente o cargo de diretor administrativo financeiro da companhia.

Também próximo a Rossi, Amaury Pio Cunha é outro que acumula passagem pela Ceagesp, pela Conab e pela Codesp.

Atual integrante do Conselho Fiscal da Ceagesp, ele foi indicado por Rossi diretor de Gestão Administrativa e Financeira da Conab em 2009. Também ocupou a Diretoria de Administração e Finanças da Codesp em 1999, na gestão de Rossi. Em 2003, foi indicado para o cargo Mauro Marques, ligado ao PT.

Outro que também coleciona passagens pela Codesp e pela Ceagesp é o advogado Marco Polo del Nero Filho, ligado a Yatim.

Alvo da faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff, o PMDB havia ameaçado retaliar o PT, que ocupa a maior parte dos cargos de direção da Ceagesp. Presidido no Estado pelo deputado Baleia Rossi, filho do ex-ministro, o PMDB mandara sinais para os petistas de que pretendia ampliar a influência na Ceagesp.

Entre os petistas influentes na companhia estão o deputado João Paulo Cunha e o ministro Gilberto Carvalho, que é próximo do atual diretor-presidente da empresa, Mário Maurici.

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