Em SP, só Juventus terá 5 noites de festa

Clube da Mooca é um dos poucos que ainda investem no baile de salão

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

02 de fevereiro de 2008 | 00h00

O Juventus não se rende. Ainda que a maioria dos clubes tradicionais da cidade já tenha desistido dos bailes de carnaval, o clube da Mooca será este ano o único a promover as cinco noites de folia, além de três matinês. Diferentemente de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Portuguesa, Paulistano e Pinheiros, que já não vêem bom negócio no carnaval de salão.No ano passado, o Juventus lucrou cerca de R$ 40 mil com o evento. Em 2006, o faturamento havia sido de R$ 50 mil. Segundo a área financeira do clube, os lucros diminuem, em média, 10% ao ano desde 2002. "O que mantém o carnaval mesmo é a tradição do verdadeiro baile família", diz Ayrton Fedeli, de 62 anos, sócio há 44.Em outros clubes da capital, evocar a tradição não tem ajudado muito. O Corinthians, que chegou a promover grandes bailes nas décadas de 70 e 80 para 12 mil pessoas, decidiu dar este ano baile para adultos apenas hoje. Mesmo assim, após muita insistência dos associados."O clube vinha numa situação financeira complicadíssima depois da última gestão. Vamos tentar recuperar a tradição aos poucos, mas, a princípio, sem muito luxo", diz a vice-presidente social do clube, Marlene Matheus. São Paulo e Palmeiras, então, menos luxo ainda: vão promover apenas matinês para associados.Para a historiadora Maria Aparecida Urbano, autora do livro Carnaval e Samba em Evolução na Cidade de São Paulo, o êxodo de foliões dos salões de baile decorre do crescimento da cidade. "Antigamente, havia mais espaço nos bairros para associações, especialmente de imigrantes, que deixaram de existir com a industrialização acelerada." A oficialização do carnaval de São Paulo em 1968, com os primeiros concursos de escolas de samba, também ajudaram a esvaziar os salões. "Com a construção do Sambódromo, a mídia deu ainda mais atenção ao carnaval de rua, diminuindo o público dos bailes."Outros clubes tradicionais da cidade, como Pinheiros e Paulistano, vão promover este ano bailes em apenas uma noite. Segundo o superintendente do departamento social do clube Paulistano, Nelson Menzato, como a maioria dos sócios do clube deixa a cidade no carnaval, já não vale mais a pena investir nos bailes. Os gastos do Paulistano em apenas uma noite de carnaval no ano passado foram de cerca de R$ 60 mil. "Mas como temos sócios que gostam dos bailes, é por respeito a eles que continuaremos fazendo."

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