Em telefonema, papa diz ter acolhido pedido de canonização de Anchieta

Presidente da CNBB, que falou com Francisco, diz que canonização pode ocorrer no ano que vem

João Carlos de Faria, Especial para o Estado

18 Dezembro 2013 | 17h01

APARECIDA - Na última entrevista coletiva do ano, concedida na manhã desta quarta-feira, 18, o cardeal arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Raymundo Damasceno Assis, anunciou que o beato José de Anchieta poderá ser canonizado em 2014. "Eu tive a honra e a alegria de receber um telefonema pessoal do Santo Padre (papa Francisco) para dizer justamente que acolhia positivamente o pedido de canonização", disse. O Apóstolo do Brasil já havia sido beatificado pelo papa João Paulo II, em Roma, no dia 22 de junho de 1980.

A resposta, segundo o arcebispo, contempla um pedido enviado recentemente ao papa Francisco pela CNBB, para que fosse avaliada a possibilidade de canonização "deste santo tão importante em terras brasileiras". A data da canonização ainda não está definida, mas pode ser que ocorra ainda no próximo ano.

"Ao responder positivamente, o papa nos enche de alegria e satisfação, principalmente nos locais por onde ele passou: São Paulo, Espírito Santo e Bahia. Ele é uma pessoa que marcou a nossa história desde o início", afirmou o arcebispo.

José do Anchieta ficou conhecido como o "Apóstolo do Brasil", pois, de acordo com d. Raymundo, "foi um grande missionário, que merece ser colocado como modelo de seguimento do Evangelho".

O beato, que nasceu em Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), no dia 19 de março de 1534, chegou ao Brasil em 1551 e ainda não era padre quando, em 25 de janeiro de 1554, participou da fundação da vila de Piratininga, berço da futura metrópole de São Paulo, no atual Pátio do Colégio.

Paz e fraternidade. D. Raymundo Damasceno, que estava acompanhado do bispo-auxiliar de Aparecida, d. Darci José Nicioli, comentou ainda a mensagem do Papa Francisco para o dia 1º de janeiro de 2014, quando se comemora também o Dia Mundial da Paz, instituído pelo Papa Paulo VI, em 1968.

"A paz só pode começar quando eu conseguir ver no outro um irmão, igual a mim, criado à imagem de Deus e resgatado pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Enquanto não se tem essa visão do outro, fica difícil a paz", afirmou, ao referir-se ao tema desse ano: "Fraternidade, Fundamentos e Caminhos para a Paz".

Outra questão abordada na coletiva foi a Campanha da Fraternidade de 2014, cujo tema "Fraternidade e Tráfico Humano", foi destacado como um "itinerário" para a libertação pessoal, comunitária e social.

"Pessoas são violentadas na sua liberdade, muitas vezes por razões econômicas", disse. Para d. Damasceno, "o tráfico humano certamente é fruto da cultura que vivemos e a campanha, ao trazer luz para esse verdadeiro drama humano, deseja despertar a sensibilidade de todas as pessoas de boa vontade. A cultura do bem-estar individual nos torna insensíveis ao grito dos outros".

Mais conteúdo sobre:
Padre Anchieta CNBB d. Raymundo Damasceno

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.