Em temas polêmicos, candidata é evasiva

Conhecida por ter sido uma ministra de temperamento e opiniões fortes, a petista Dilma Rousseff tornou-se uma candidata de posições evasivas.

Rafael Moraes Moura BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

Ela adota cada vez mais a estratégia de "sair pela tangente" para fugir de assuntos polêmicos, como aborto, união civil entre homossexuais e retorno da CPMF. Quando confrontada com essas questões, Dilma as remete para o Congresso e os movimentos sociais, evita declarações conclusivas ou simplesmente diz que este não é o momento mais apropriado para debater o assunto - caso do Código Florestal.

Na recém-divulgada Carta aberta ao povo de Deus, Dilma defende a tese de que cabe ao Congresso "a função básica de encontrar o ponto de equilíbrio nas posições que envolvam valores éticos e fundamentais, muitas vezes contraditórios, como aborto, formação familiar, uniões estáveis e outros temas relevantes, tanto para as minorias como para toda sociedade brasileira".

O documento foi feito sob medida para acalmar católicos e evangélicos. No mês passado, o bispo d. Luiz Gonzaga Bergonzini, de Guarulhos, defendeu um boicote à candidatura petista. Segundo ele, o PT se posicionou "pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência".

No debate na TV Bandeirantes, outro exemplo: ao ser questionada por Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) sobre a redução da jornada de trabalho, a candidata recorreu aos "movimentos sociais". "Não é papel do governo substituir o movimento social e determinar qual é a jornada de trabalho que esse ou aquele setor deve ter."

Em entrevista à rádio CBN, em maio, afirmou que ficou estarrecida com a campanha pela extinção da CPMF. Questionada se era favorável à volta da contribuição, respondeu que não "necessariamente".

Para o professor Ricardo Caldas, do Instituto de Ciência Política da Unb, Dilma está atrás do eleitor médio. "Aquele que reflete a média de pensamento do País."

ALGUNS TEMAS INCÔMODOS

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, não dá respostas muito conclusivas quando confrontada com assuntos controversos, como recriação da CPMF, redução da jornada de trabalho e mudanças no Código Florestal. Alguns exemplos:

Retorno da CPMF

Afirma que ficou estarrecida com a campanha pela extinção da CPMF e que não viu "resultados práticos no bolso do consumidor". Mas não se posiciona sobre um eventual retorno do imposto

Redução da jornada de trabalho

Diz que o governo não deve substituir os movimentos sociais na discussão. "Não é papel do governo determinar qual é a jornada de trabalho que esse ou aquele setor deve ter", diz

Aborto e união civil entre homossexuais

Diz que cabe ao Congresso Nacional "a função básica de encontrar o ponto de equilíbrio nas posições que envolvam valores éticos e fundamentais, muitas vezes contraditórios"

Código florestal

Acha que o período eleitoral não é o momento apropriado para o debate. "Acho o pior momento para discutir isso porque o código é uma questão muito delicada, com muitas controvérsias", comentou no mês passado

Reajuste dos aposentados

Alega que a decisão final sobre o aumento de 7,7% para os aposentados, que foi bastante criticado pela equipe econômica do governo, cabe ao presidente Lula

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