Em tempos de contenção de gastos, a ordem é abusar da criatividade

Que esta é a SPFW da crise, isso já é tendência. O que isso significa em termos de "desejos futuros de consumo" ainda é assunto reservado para os especialistas. Para "nortear" os criadores e difusores de estilo brasileiros, o WGSN, o maior site indicador de tendências do mundo, apontou ontem o que entra e o que sai de moda em tempos de contenção de gastos. Basicamente, a ordem é controlar os ímpetos passageiros e não economizar na dose de criatividade. "Há mudanças fundamentais acontecendo com os consumidores de todo o mundo. O comprador ainda age de forma emocional, mas está mais cuidadoso e à procura de bens duráveis, que valorizam a austeridade em detrimento da opulência de outras estações", comentou Barbara Kennington, diretora criativa do site. Ou seja, as novas diretrizes fashion para os tempos de crise podem ser resumidas no desejo por produtos atemporais, que trazem tanto qualidade quanto durabilidade. Pode parecer fora de moda. Mas, quando o assunto é a indústria - que a toda nova estação tenta, e precisa, surgir com o novo look, a nova tendência, o novo desejo de ter -, a fidelidade aos bons, bonitos, baratos (e eternos) é artigo por vezes raro.Ainda segundo os olheiros da WGSN, que estão espalhados pelos cinco continentes, quem quer se preparar bem para as tendências primavera-verão de 2010 deve ficar de olho na busca do consumidor pela natureza. "Eco-labels, ou seja, produtos ecologicamente responsáveis, serão cada vez mais procurados. Assim como a busca por serviços diferenciados tende a crescer", comentou Andrea Bisker, diretora da WGSN América do Sul e Central. Neste mundo em crise, as macrotendências ficam por conta da procura por produtos que evoquem o poder da natureza, da imaginação (trazendo o passado em releituras criativas) e da criatividade elevada à máxima potência. Como bem resumiu Barbara, no mundo fashion pós-moderno, às vezes, mais é mais mesmo. "Sem ser caro. E criativo."

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