Em tom de despedida, Zuanazzi faz críticas a Nelson Jobim

Presidente da Anac pode pedir demissão do cargo ainda nesta quarta-feira; para ele, Jobim faz 'proselitismo'

31 Outubro 2007 | 10h58

Na esperada entrevista coletiva em que o atual presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, pode anunciar sua demissão do cargo, ele não poupou críticas ao ministro da Defesa, Nelson Jobim. Desde pequenas alfinetadas, como chamar o discurso do ministro de "proselitismo político", o dirigente, que está em rota de colisão com o ministro desde que Jobim assumiu a Defesa, afirmou que o ministro desconhece a realidade histórica da aviação brasileira.   Até agora, ele ainda não anunciou formalmente a sua renúncia ao cargo. Zuanazzi está fazendo um desabafo. Primeiro, ele reclamou da falta de orçamento para o órgão e principalmente das acusações de que a Anac seria responsável por toda a crise do setor aéreo, como no caso dos controladores de vôo, subordinados ao Comando da Aeronáutica. "Eu não vejo porque se acusou tanto a Anac. Nós não somos ministério, não podemos usar a FAB. Não é justo esse tipo de crítica", diz.   Zuanazzi também afirmou que "gostaria de resolver os problemas da aviação civil na hora em que eles aparecem". A coletiva acontece depois de três meses de queda de braço,. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, amigos de Zuanazzi confirmaram a saída da presidência, mas informavam que ele ainda cogitava permanecer na diretoria.   A definição de quem comanda uma agência reguladora é do presidente da República, mas o cargo de diretor está garantido por mandato e só pode ser retirado em casos especiais, como condenação na Justiça e a existência de processo de improbidade administrativa.   O ministro deve indicar a economista Solange Paiva Vieira, chefe da Secretaria de Aviação Civil, para a presidência da Anac, na próxima semana. O nome dela terá de ser encaminhado pela Casa Civil ao Senado. Três novos diretores já estão escolhidos e o quarto nome é o de Solange Paiva Vieira. Como a diretoria é formada por cinco integrantes, se Zuanazzi insistir em continuar diretor, não haverá lugar para o engenheiro.   No caso da permanência de Zuanazzi na diretoria, a estratégia do ministro será apostar na investigação da Controladoria Geral da União, que apura improbidade administrativa na agência reguladora. A saída de Zuanazzi da presidência permite que seja nomeado presidente interino o diretor Alemander Pereira Silva, empossado na segunda-feira.   (Colabora Rosana de Cassia, da Agência Estado)

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