Em três dias, delegacia do turista no Rio registra 55 queixas

Nesta sexta, ao menos mais três estrangeiros fizeram queixas por assaltos; policiamento será reforçado

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2009 | 18h25

A Delegacia Especial de Apoio ao Turista (Deat) registrou pelo menos 55 queixas de turistas roubados nos últimos três dias, em seis assaltos diferentes, no Rio. Nesta sexta-feira, 20, uma turista australiana registrou queixa após ter sido roubada e agredida logo após chegar na cidade, quando desembarcava do táxi em frente ao albergue onde ficaria hospedada, em Santa Teresa, no centro, na noite de quinta-feira. Um australiano e duas jovens turistas também registraram queixa por roubos ocorridos em praias da zona sul.   Veja também:  Após 3.º ataque, Rio aumenta proteção a turista estrangeiro  Em novo arrastão, 34 turistas são roubados em albergue do Rio  Turistas são roubados dentro de albergue de Copacabana   "São casos graves pelo número de vítimas, mas não quer dizer necessariamente um aumento de ocorrências. Em 2008, o número de ocorrências envolvendo turistas como vítimas caiu 10%, sendo que o roubo aos turistas caiu 21%", ressaltou o delegado titular da Deat, Fernando Veloso. Ele voltou a defender um "Choque de Ordem" nos albergues, que, segundo o delegado, não cumprem os procedimentos básicos de segurança.   Na tarde de quinta-feira, quatro estrangeiros de um grupo de dez turistas foram assaltados durante um passeio na Estrada das Canoas, em São Conrado. No dia anterior, uma quadrilha invadiu e roubou 34 turistas em um albergue na Lapa, no Centro. Na segunda-feira, treze jovens turistas também foram assaltados em outro albergue, em Copacabana.   No caso de quinta, a australiana Sara Maryssael chegou de Salvador ao Aeroporto do Galeão, na zona norte, acompanhada por dois amigos. O grupo pegou um táxi para o albergue. Ela contou em depoimento que foi a última a saltar. Após pagar a corrida, ela foi abordada por um homem que anunciou o assalto. Como não entendeu o que o assaltante queria, a vítima foi agredida com um chute e um soco.   O ladrão levou R$ 600, o passaporte da turista e cartões de crédito. Ela não deu declarações, mas a polícia informou que Sara vai colaborar com as investigações e tentará identificar qual o táxi em que ela e os amigos embarcaram. A polícia não descarta a hipótese do envolvimento do taxista no assalto. O australiano Darren Lynn, de 31 anos, que teve o telefone celular e dinheiro roubados em Copacabana, disse que permanecerá na cidade, mas adotará a cautela. "Acho que agora serei mais cuidadoso", disse o turista.   Agentes da Deat informaram que as investigações no caso dos assaltos aos albergues estão adiantadas. Eles estão convencidos que os crimes foram cometidos por quadrilhas diferentes. Dois dos assaltantes do albergue em Copacabana já foram identificados e seriam jovens de classe média. No caso do assalto na Lapa, a polícia deve pedir nas próximas horas a prisão de um funcionário do albergue, que teria facilitado a ação dos criminosos.   A Associação dos Albergues da Juventude do Rio de Janeiro informou que apenas cinco albergues são credenciados e seguem as normas da entidade, que estima a existência de cerca de 200 albergues no Rio. Já a Associação Brasileira de Indústria Hoteleira possui apenas três albergues associados, sendo que nenhum deles na capital. A associação projeta que pelo menos 90 estabelecimentos hoteleiros deste tipo funcionem no estado.

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