Em três meses, 97% das queixas de 2008

Apenas entre janeiro e março, o Comitê Gestor de Internet no Brasil recebeu 1.722 denúncias de sites falsos de bancos (cerca de 19 por dia), que pediam dados cadastrais dos usuários. As notificações feitas ao Centro de Estudo, Resposta de Incidentes de Segurança da entidade evidenciam que este tipo de crime ganhou fôlego. O total de ocorrências, de todos os tipos, registrada no 1º trimestre de 2009 já representa 97,8% das notificações feitas durante 2008 inteiro.Wilson Zampieri, delegado titular da Divisão de Cibercrimes de São Paulo, afirma que os autores dos endereços eletrônicos fraudulentos, na maioria das vezes, agem com o suporte de quadrilhas especializadas. "As vítimas não sofrem prejuízos financeiros tão onerosos", explica. "Mas como são muitas, o total desviado chega a cifras astronômicas." Segundo Zampieri, os bancos procuram a delegacia para relatar casos de clientes que caem no golpe. As investigações duram em média quatro meses. Neste ano, 40 hackers foram indiciados.O consultor em combate às fraudes bancárias Eduardo Daghum avalia que são muitos fatores que contribuem para o cliente virar vítima, principalmente os hábitos que não expressam perigo. Gastão Mattos, membro do Movimento da Internet Segura, cita que no caso dos cartões de crédito clonados, por exemplo, a fraude pode ocorrer no posto de gasolina ou restaurante sem que a pessoa sequer desconfie.Pode ter sido em um desses momentos que Christianne Botasso, de 45 anos, Janice Dias Leite, de 59, e Isabelle de Paula, de 29, entraram para a estatística de pessoas fraudadas. Todas tiveram o cartão clonado e só souberam quando a conta chegou. "Não tenho a mínima ideia onde posso ter sofrido o golpe, mas a fatura de fevereiro chegou com R$ 6 mil em compras que eu jamais fiz", diz Isabelle. "Depois de brigar com o banco, consegui ser ressarcida. Hoje não saio de perto do cartão, seja qual for a conta que vou pagar."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.