WELLINGTON MACEDO
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Após troca de tiros com PM, dois são mortos no CE; 110 já foram presos

Um policial também foi atingido, mas não corre risco de morte. Desde a última quarta-feira, 2, 34 adolescentes já foram detidos

Caio Faheina, Especial para o Estado de S. Paulo

06 de janeiro de 2019 | 14h50

FORTALEZA  - Dois suspeitos de ataques criminosos no Ceará, ainda não identificados, foram mortos durante troca de tiros com a Polícia Militar na madrugada deste domingo, 6. No combate, no bairro Granja Portugal, em Fortaleza, um policial foi atingido na mão. 

O caso aconteceu após os suspeitos tentarem atear fogo em um posto de atendimento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Coletes balísticos, um revólver calibre 38, munições deflagradas, coquetéis molotovs, galões de combustíveis e um veículo também foram apreendidos pela PM. Na última quinta-feira, 3, um suspeito também foi morto após atirar contra uma equipe policial que estava atendendo a uma ocorrência de dano a um fotossensor na CE-010.

Além disso, mais sete pessoas foram presas de sábado, 5, para este domingo, 6, por envolvimento nas ações criminosas que assolam o Ceará desde a última quarta-feira, 2. Com as novas capturas, 110 pessoas, ao todo, estão detidas -- destes, 34 são adolescentes. A informação é da Secretaria da Segurança Pública do Estado do Ceará (SSPDS).

Um preso em flagrante por venda irregular de combustível a grupos criminosos também foi detido. Um caminhão foi apreendido e o homem doi direcionado para a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). "De acordo com as apurações, o suspeito vendia cada galão de gasolina a R$ 70", afirmou a pasta.

Ataques pelo Ceará

Mais de 100 ataques criminosos aterrorizaram o estado cearense desde a última quarta-feira, 2. Mais de 20 municípios foram palco dos crimes. Ônibus, agências bancárias, delegacias, equipamentos públicos, veículos particulares, postos de combustíveis e supermercados foram atingidos.

Mais de 300 profissionais de segurança pública e 30 veículos, enviados pela Força Nacional de Segurança, estão reforçando a patrulha policial desde a noite de sábado. Cerca de 80 agentes penitenciários também foram enviados ao Ceará pelos governos de outros estados do Nordeste para fortalecer o sistema prisional.

Neste domingo, 100 policiais militares da Bahia foram enviados pelo governador Rui Costa para reforçar atividades de policiamento no Ceará. Os agentes vão se somar ao patrulhamento cearense e aos policiais da Força Nacional de Segurança, e devem ficar no estado até 20 de janeiro, segundo decreto assinado por Costa. A medida foi solicitada pelo governador do Ceará Camilo Santana (PT). Além disso, quatro explosivistas da Bahia trabalharão em conjunto com o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) do BPChoque da Polícia Militar cearense. Parte desse efetivo deve atuar na capital e em Áreas Integradas de Segurança (AIS) do interior do estado.

A Secretaria de Administração Penitenciária fez uma operação pente fino nos presídios do estado. Ao todo, 407 celulares e centenas de televisores foram retirados das unidades. Além disso, as unidades CPPL I e III, localizadas em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, tiveram visitas de familiares suspensas. A medida, segundo a pasta, tem relação com a indisciplina dos detentos.

Segundo investigações, a origem dos ataques criminosos estaria ligada ao discurso do titular da recém-criada Administração Penitenciária, Luis Mauro Albuquerque. O secretário afirmou não reconhecer o poder das facções rivais em unidades prisionais distintas. Até o fim de 2018, membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) estavam na Casa de Privação Provisória de Liberdade 3 (CPPL 3), na Região Metropolitana de Fortaleza. Integrantes da Guadiões do Estado (GDE), aliados do PCC no Ceará, eram levados à CPPL 2. Já criminosos ligados ao Comando Vermelho, nas CPPLs 1 e 4. Presos sem ligação com quaisquer facções também estão espalhados pelas unidades.

Fortaleza

Na capital cearense, 136 ônibus de 109 linhas (menos de 10% da frota total) circulam com policiais militares. Outros 21 veículos têm agentes de segurança na Região Metropolitana. A iniciativa foi articulada com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do ceará (Sndiônibus).

 

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