Em uma década, triagem chega a 10% dos prédios

Maioria doa material para cooperativas, mas muitos síndicos já descobriram que vender o lixo dá lucro

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Há dez anos, dava para contar nos dedos o número de prédios com coleta seletiva de lixo em São Paulo. E não é força de expressão. Segundo o Sindicato da Habitação (Secovi), levantamentos sobre o assunto nem eram feitos por pura falta do que pesquisar. Hoje, no entanto, em 10% dos 27 mil condomínios residenciais e comerciais da cidade já ocorre a separação de plástico, vidro, papel e alumínio. A maioria doa todo o material, mas há um número crescente de síndicos que vendem lixo para reverter o dinheiro para funcionários. E a adesão vem aumentando em 30% ao ano, estima o Secovi."Talvez por preguiça ou mesmo falta de informação, o paulistano ainda insiste em misturar materiais recicláveis a resíduos orgânicos, o que acaba inutilizando todo o lixo", diz Hubert Gebara, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do sindicato. "Mas isso está mudando aos poucos. Cada vez mais temos demanda de prédios que querem adotar a coleta. Vamos lançar agora um manual da coleta seletiva para ser distribuído aos síndicos, com o intuito de aumentar ainda mais a participação da sociedade."Aos poucos, moradores de condomínios estão aprendendo a se relacionar de uma forma mais civilizada com o lixo. Há até ONGs especializadas em ajudar síndicos a iniciarem a coleta seletiva. "Recebemos cinco pedidos novos por semana", diz a analista de educação ambiental Ana Maria Domingues Luz, presidente do Instituto GEA, que esclarece dúvidas e auxilia gratuitamente na montagem de sistemas de coleta seletiva.No prédio do síndico Luiz Antônio Vieira, por exemplo, no Jardim da Saúde, zona sul, uma empresa de consultoria em reciclagem organizou uma série de palestras para conscientizar funcionários e moradores dos 76 apartamentos. Há dois meses, a coleta começou de fato. "Colocamos caixas para os moradores separarem o lixo orgânico (restos de comida) do que é realmente reciclável", conta Vieira. "Nosso faxineiro faz então uma pré-triagem do material, que é vendido para uma cooperativa. Ela vem buscar o lixo uma vez por semana. O primeiro mês foi um sucesso. Tivemos 290 quilos de material. Rendeu R$ 400, que colocamos num fundo de caixa para distribuir aos funcionários no fim do ano."Já no condomínio da designer gráfica Gabriela Lins, em Pinheiros, zona oeste, a venda do lixo rendeu R$ 3 mil nos seis primeiros meses de coleta. "O dinheiro será sempre destinado a melhorias em áreas comuns", afirma. "Pintamos o salão de festas e compramos um equipamento de som. Agora queremos trocar a escada da piscina e as luminárias. É um pequeno esforço para selecionar o que é reciclável, que depois volta em benefícios para os próprios moradores."

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