Em vez de prevenir, União dá o triplo para remediar

Governo federal enviou este ano R$ 7,2 mi para amenizar desastres em 18 cidades de SC e R$ 2,4 mi para obras preventivas, a maioria em 4 locais

Agência Brasil, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2008 | 00h00

O governo federal só executou até agora 13% do orçamento previsto para prevenção e preparação para desastres. Os dados estão no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) acessados pela Agência Brasil e pelo site Contas Abertas. Os números mostram que do total de R$ 372,9 milhões destinados a prevenção e preparação para desastres foram empenhados R$ 184,6 milhões e executados quase R$ 49 milhões. Parte disso, R$ 2,4 milhões, foi para o Estado de Santa Catarina. Em suma, o governo federal repassou, em 2008, R$ 2,4 milhões para serem usados em obras preventivas, como contenção de encostas e canalização de córregos, para o Estado, enquanto mais de R$ 7,4 milhões, por exemplo, foram encaminhados por meio do programa de "resposta aos desastres" - o triplo de recursos para remediar, e não prevenir. Isso sem considerar os mais de $ 1 bilhão liberados anteontem por medida provisória.No ano passado, a distorção entre o orçamento nacional desses programas se repetiu. Somente R$ 53,5 milhões foram gastos de uma dotação autorizada de R$ 262,9 milhões com a prevenção (20% do total previsto). Já a resposta aos desastres levou ao desembolso de mais de R$ 347 milhões de uma verba autorizada de R$ 554,3 milhões (63%). Em resumo, o valor aplicado nas ações pós-chuvas foi seis vezes superior aos repasses para ações de Defesa Civil. Procurado ontem, o governo não se pronunciou.FURACÃOA baixa execução dos recursos destinados para Santa Catarina foi criticada pelo coordenador da Estação Meteorológica de Joinville, Alessandro Barbosa. "O Estado está exposto a grandes alterações climáticas. Isso por causa da localização geográfica. Estamos em uma região em que a massa de ar fria que vem do pólo sul e o ar quente se encontram e provocam fenômenos como o Catarina", disse, lembrando da tragédia provocada pelo Furacão Catarina que atingiu os Estados do Sul, deixando 11 mortes e 35 mil desabrigados, em 2004.Segundo ele, pouco mudou desde aquela época. "Nós precisávamos de uma bóia meteorológica no Atlântico." Segundo Alessandro, o custo de um equipamento como esse, que ajudaria a dar maior precisão nas previsões meteorológicas, não passa de R$ 300 mil.Entre os R$ 2,4 milhões repassados pela União para Santa Catarina, por meio do programa de prevenção, pelo menos R$ 1,8 milhão foi destinado exclusivamente para quatro prefeituras. O montante serviu para execução de obras preventivas de desastres em Balneário Piçarras ( R$ 1 milhão), Doutor Pedrinho (R$ 388 mil), São Ludgero (R$ 194 mil) e Gravatal (R$ 194 mil). Outro R$ 1,5 milhão foi empenhado (reservado em orçamento) para uso da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária.100%Já entre os repasses federais para Santa Catarina feitos por meio do programa de resposta aos desastres este ano, quase 100% da verba foi utilizada. Ao todo, 18 municípios foram contemplados, incluindo Nova Veneza, Praia Grande e Aurora. NÚMEROS13% do orçamento do governo federal previsto para a prevenção e a preparação para desastres foi executado63% da verba autorizada de R$ 554,3 milhões foi usada no ano passado para responder a desastres, enquanto apenas 20% do total previsto (R$ 262,9 milhões) para a prevenção foi empregado

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