WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Em Vitória, população estoca comida e já faltam produtos

No bairro residencial de Mata da Praia, o maior supermercado da região tem feito interrupções do serviço para que clientes consigam circular no estabelecimento

Marcio Dolzan, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

09 Fevereiro 2017 | 12h21

VITÓRIA - A sensação de insegurança que tomou conta da Grande Vitória e o elevado número de lojas fechadas está fazendo com que a população lote os grandes supermercados da região. Na manhã desta quinta-feira, 9, o maior supermercado do bairro residencial de Mata da Praia, em Vitória, registrava enormes filas. Alguns produtos já estão acabando e o estabelecimento tem feito interrupções no serviço ao longo do dia para facilitar o fluxo de clientes no interior da loja.

"Está parecendo a Venezuela, só que lá não tem alimentos", afirmou o administrador Sebastião Guimarães, de 57 anos. "Estamos estocando alimentos, mas aqui também já estão faltando alguns produtos. Ontem minha mulher não encontrou carne."

A falta de alguns produtos foi confirmada pelo subgerente do supermercado, Adélio Ramos. "Estamos com poucos funcionários. Os que estão vindo trabalhar é porque a gente está indo buscar em casa, já que não tem ônibus nas ruas. Alguns fornecedores também não têm feito entrega. Hoje, por exemplo, não tem mais ovos", comentou. Os repositores trabalhavam sem parar nesta manhã, mas a prateleira com macarrão instantâneo já estava praticamente vazia.

O aposentado Ervino Nitz, de 77 anos, saiu de casa nesta quinta-feira pela primeira vez desde o final de semana, quando estourou a crise na segurança no Espírito Santo. As compras do dia foram maiores do que em circunstâncias normais. "Estou me prevenindo, mas a gente fica até chateado com o que está acontecendo", declarou.

Ele disse que, com o passar dos dias, ganhou "um pouco de confiança" para voltar às ruas. "Estou perdendo um pouco do medo, mas só vou para a rua pela manhã. Mais para o fim da tarde começa a ficar perigoso", destacou o aposentado.

A autônoma Lúcia de Fátima Merçon, de 62 anos, por sua vez, demonstrava mais tranquilidade. Ela não se queixou da grande fila que tinha pela frente para pagar as compras no caixa. "Tenho vindo quase todos os dias. Aqui no bairro está tranquilo, a única coisa que soube foi do roubo de um carro esses dias", comentou.

Lúcia de Fátima disse que a paralisação dos policiais militares "é ruim", mas não criticou a atitude. "Eu levo bolo e café para os policiais aqui perto todos os dias há mais de um ano. Eles merecem", disse. "Todo mundo tem o direito de reivindicar. Os professores vão às ruas protestar, os servidores em geral vão, por que os policiais não poderiam também?"

Ervino Nitz pensa diferente: "Acho isso tudo uma falta de respeito com a população. Nunca vi nada parecido na minha vida, nos deixaram à própria sorte com os bandidos".

Sebastião Guimarães também criticou a paralisação. "Vai normalizar só quando a polícia entender que a segurança é necessária. Não dá para deixar a população à mercê dos bandidos. A polícia não pode nos abandonar. Imagina se a população começar a se armar o que pode acabar acontecendo." 

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