Embalos do funk tomam lugar de discurso do rap

Estilos mais leves e dançantes têm maior aceitação

O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

Se o rap de São Paulo é a CNN da periferia e tem letras comprometidas com a realidade, o funk está mais para o SuperPop, programa de variedades da apresentadora Luciana Gimenez. Da mesma forma, se o rap hoje é associado às oficinas de rimas, grafite e dança dadas nas escolas públicas, o compromisso do funk se limita às baladas, animadas por diferentes estilos da música.   Ouça relato do repórter, músicas e confira as fotos dos bailes de funk "O funk ganhou espaço em São Paulo porque é mais variado: pode ser leve, engraçado, sensual, consciente, romântico e não fica preso ao esquema do rap, que parece que só faz críticas ao capitalismo. Sem falar que as festas funks levam mais mulheres para a balada", diz Cleber Passos, o MC Bio-g3. Na madrugada de sábado retrasado, Bio-g3 e Backdi subiram no palco de Cidade Tiradentes para fazer a mulherada rebolar ao som do funk Gisele da Favela, que mistura o estilo engraçado ao consciente. Há também outros estilos de funk, como o melody, com temas românticos - caso das músicas da carioca Perlla. Os proibidões falam das facções, mas também de sexo, usando palavrões, como nos hits da Gaiola das Popozudas.MAIS LEVEPara tocar em rádio e nas festas mais recatadas, todo MC deve fazer uma versão "light" das músicas mais fortes. Sem Calcinha, da Gaiola das Popozudas, por exemplo, vira De Sainha na versão light. Agora Virei P... fica Agora Sou Solteira. "Só promovemos músicas sem palavrão e que não falam do crime. Acho que dessa maneira incentivamos a criatividade dos grupos", explica o DJ Marlboro, descobridor de novos talentos da cena funk, a maioria ainda nascida no Rio.Em São Paulo, mesmo com a produção restrita aos guetos, alguns funkeiros já começam a dar as caras. Cidade Tiradentes é um dos celeiros dessa nova geração, que se aproveita da liberdade para criar em diferentes estilos, ao contrário do rap, mais centrado na crítica social. Ex-cantor de samba, Joslei Caio Farias, de 19 anos, o Dedê, vencedor do primeiro concurso de funk do bairro, faz músicas lights para dançar, como Treme Que Treme. Mas também compõe letras conscientes, como Jogar Bola e Estudar. "O bom do funk é que pode misturar tudo. Também canto globalização, meio ambiente e desigualdade social." Já o skatista Jéferson Antônio, de 21 anos, o Mc Jé Bolado, começou no funk cantando o estilo consciente e o proibidão. Não fazia muito sucesso e decidiu mudar. Chamou dois amigos, os Dig Dins, alienou as letras e finalmente passou a fazer mais shows, com o grupo Jé Bolado e os Dig Dins. "O pessoal quer mesmo dançar."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.