Sobe para 18 número de mortos de naufrágio no Amapá

Vento forte teria atingido o navio de médio porte; ainda há 30 desaparecidos

Leonardo Augusto e Alcinéa Cavalcante, especiais para, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2020 | 14h38
Atualizado 09 de novembro de 2020 | 16h47

BELO HORIZONTE/MACAPÁ - Subiu para 18 o número de corpos resgatados após naufrágio do navio Anna Karoline III. O acidente aconteceu no sábado, 29, no sul do Amapá. Ainda há 30 desaparecidos. 

Os corpos encontrados são transportados do local do naufrágio para o município de Gurupá (PA) em lanchas. As viagens duram até duas horas e meia. Depois, de lá, seguem de helicóptero para Macapá.

A Prefeitura de Macapá montou dentro da Polícia Técnica, que trabalha para identificar as vítimas, um centro de acolhimento com psicólogos e assistentes sociais para atender familiares das vítimas.

O prefeito de Macapá, Clécio Luís, passou a segunda-feira, 2, na região do naufrágio para verificar a situação do local. Ao Estado, ele disse que “o cenário é de terror”. 

Na madrugada desta terça, saiu de Macapá, com destino ao local do naufrágio, um barco da Prefeitura levando alimentos, água, remédios, roupas, produtos de higiene para familiares dos desaparecidos que estão desde sábado no local. Eles já estão sem comida e sem água. Muitos deles chegaram lá apenas com a roupa do corpo e estão abrigados em barcos, casa de ribeirinhos e na UBS Fluvial enviada pela Prefeitura de Almerim (PA). A UBS já registra falta de medicamentos.

Ainda nesta terça, um barco deve transportar psicólogos e assistentes sociais das prefeituras de Macapá e Santana e do governo do estado para prestarem auxílio aos familiares.

À Capitania, o comandante da embarcação relatou que o acidente foi causado or forte ventania que fez com a embarcação virasse e os passageiros caíssem na água. Vários deles foram resgatados por um balsa que passava no local.

O trecho onde aconteceu o naufrágio dificulta as buscas, pois as águas são escuras e há muita correnteza.

Investigação e fiscalização

Na segunda, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento de investigação criminal para apurar as circunstâncias do naufrágio do navio Anna Karoline III. O órgão visa identificar possível prática de infrações penais, em razão de eventual descumprimento de normas básicas de segurança aquaviária, como sobrecarga e irregularidades quanto ao número e à alocação de coletes salva-vidas na embarcação. 

Já o Ministério Público do Amapá (MP-AP) instituiu uma Comissão para fiscalizar a organização do transporte aquaviário na região. Essa comissão vai acompanhar as medidas tomadas pelo poder público em relação ao resgate de sobreviventes e acolhimento das famílias, além de apurar incidentes envolvendo a área portuária, dentre elas, as causas do naufrágio do navio Anna Karoline III. 

A procuradora-geral de Justiça, Ivana Cei, disse que a medida foi adotada em função de várias irregularidades envolvendo o transporte aquaviário e que não tem sido regularmente monitorado, causando a falta de confiabilidade aos passageiros, em comparação a outros modos de transporte, que muitas vezes só podem utilizar o deslocamento pelos rios.

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