Embarque de amigos da tripulação já ocorreu antes, afirma coronel

Em entrevista à rádio ''Estadão ESPN'', Geraldo Lyra apresenta versão diferente da de Amanda para a viagem a Natal

, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2011 | 00h00

O comandante do avião presidencial coronel Geraldo Corrêa de Lyra Júnior afirmou ontem, em entrevista exclusiva à rádio Estadão ESPN, que não é a primeira vez que parentes ou amigos da tripulação embarcam num avião da Presidência da República. "Já vi acontecer outras vezes, sempre devidamente autorizado", disse o coronel, que pilota a aeronave presidencial desde 2003.

Ao ser questionado se amigos da tripulação tinham embarcado em viagens no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o comandante se negou a dar resposta. "Não é o caso. Não vou te responder." Por que não?, insistiu o repórter. "Porque não quero", disse o coronel.

Geraldo Lyra Júnior e a professora de educação física Amanda Patriarca, também ouvida pela Estadão ESPN, deram versões diferentes para a "carona" que a levou na aeronave oficial para passar o carnaval em Natal (RN).

O coronel nega que tenha dado alguma autorização para o embarque dela, enquanto Amanda reafirma que foi ele quem deu o aval para sua presença na viagem. "Tinha espaço no avião, tendo espaço para ir e para voltar, tinha possibilidade, com autorização do comandante da aeronave, de estar nesse voo", afirmou a professora, irmã da comissária de bordo Angélica Patriarca.

"Eu recebi a resposta um dia antes da viagem. O check in é pela autorização do comandante. A bagagem é registrada antes e nós embarcamos antes da Dilma", disse Amanda Patriarca.

O coronel tentou se apegar às regras oficiais de que, legalmente, ele não tem a prerrogativa de autorizar alguém a ser passageiro de um voo presidencial. A entrevista dele foi concedida antes de o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) admitir que houve falha, um "equívoco", no processo que liberou Amanda Patriarca a pegar carona no voo do carnaval.

Segundo o coronel, "é o chefe de gabinete do presidente da República que autoriza as pessoas a embarcarem no voo do presidente ou não". Ao ser questionado se a Presidência tinha, então, conhecimento do embarque de Amanda, ele não tergiversou: "Olha, eu entendo que sim. Porque a relação parte de lá, parte do GSI, que é despachado com ele. Aí essa pergunta você não tem de fazer pra mim. Eu não questiono quem está a relação. Eu recebo uma relação. Eu não sou da Presidência da República."

"Não tenho autonomia para colocar nenhum passageiro a bordo da aeronave presidencial", afirmou. Lyra Júnior, no entanto, admitiu conhecer a professora. "É minha amiga", disse. Ele defendeu a amiga e disse que ela é uma "cidadã brasileira, não uma pessoa qualquer achada na rua".

Em alguns momentos o coronel demonstrou irritação com a polêmica gerada com a revelação, pelo Estado, do embarque de Amanda Patriarca no avião presidencial. O coronel tentou, de todas as formas, se eximir de responsabilidades: "Nós tripulantes só precisamos saber quantas pessoas estão a bordo e o peso da bagagem", afirmou. "Não sou segurança, eu recebo uma relação com os passageiros que vão voar. Você quer que eu mande a passageira descer de paraquedas?", reagiu, com ironia.

Arrependimento. Já a professora afirmou que se arrependeu da carona. "Não faria de novo", afirmou. Ela chegou a dizer que se convidou para entrar no voo. "Eu não fui convidada, eu me convidei, quis saber se tinha disponibilidade de eu ir", explicou Amanda.

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