Nilani Goettems/AE
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Embarque liberado para altos voos em turismo

Previsão é de que setor abra 500 mil vagas até 2014 impulsionado pela Copa do Mundo, Olimpíada e ascensão econômica das classes sociais C e D, que estão viajando mais

Márcia Rodrigues, O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2012 | 12h59

SÃO PAULO - Apontado como um dos setores mais promissores para o mercado de trabalho em 2012, o turismo deve abrir 500.641 vagas até 2014, segundo o Ministério do Turismo. O motivo, além dos preparativos para a Copa do Mundo e para as Olimpíada, é o aquecimento das atividades turísticas no Brasil, impulsionado pelas classes C e D. O volume de viagens entre os estados brasileiros saltou de 68,2 milhões, em 2010, para 79 milhões, no ano passado, um aumento de 15,9%. A estimativa é de que em 2012 o crescimento seja 10%, de acordo com a Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav).

 

"O bom desempenho da economia está muito favorável para o crescimento do setor. O desejo de viajar foi apontado como prioridade por 29% dos entrevistados em uma pesquisa da Nielsen sobre os gastos de fim de ano dos brasileiros. Isso mostra o quanto o mercado está aquecido", diz o presidente da Abav, Antonio Azevedo. Para ele, o principal impulso para o turismo está sendo dado pela ascensão das classes C e D. "São 30 milhões de novos consumidores que estão realizando a sua primeira viagem aérea e desfrutando de serviços de hotéis e restaurantes."

 

O ministro do Turismo, Gastão Vieira, confirma a expectativa de expansão do setor independentemente da Copa e da Olimpíada. "O aquecimento econômico afeta diretamente e indiretamente o desempenho do turismo e de diversos setores que o englobam. Isso, consequentemente, acarreta na abertura de postos de trabalho", afirma.

 

A expansão já resultou na abertura de vagas, principalmente na área de hotelaria. "Sempre estamos atrás de profissionais para as mais variadas funções. O difícil é encontrar alguém qualificado e com a consciência de que quem atua no ramo do turismo não vai apenas viajar e conhecer o mundo. Vai trabalhar, mais do que em qualquer outra atividade, servindo o cliente", conta a gerente geral da rede Comfort, Thais Uete Uehara. Ela entrou na área como estagiária durante o curso que fez em administração com ênfase em hotelaria. "O que me atraiu para o setor foi o fato de poder conhecer outras culturas, outras línguas e a dinâmica da área. É legal porque não há rotina", diz.

 

Para o gerente geral do Sleelp Inn de Goiânia, André Luiz Bomfim, é possível fazer carreira e ter sucesso no ramo da hotelaria. "Entrei no setor como cumim (assistente de garçom), depois virei garçom, chefe de fila, gerente de alimentos até chegar ao posto de gerente geral. Não foi fácil. Aceitei propostas para ganhar menos somente por causa da oportunidade", diz.

 

Apesar de sentir-se realizado por conquistar a vaga que desejou desde o início da carreira, Bomfim já traça outra meta para sua carreira: especializar-se em gastronomia. "Um bom gerente precisa saber o que servir aos seus hóspedes. Deve entender que é preciso oferecer, por exemplo, comidas típicas, mas não deixar de incluir no cardápio opções básicas e pratos tradicionais de outros países", orienta.

 

O aperfeiçoamento profissional é um dos principais pontos ressaltados por especialistas para quem deseja ingressar na área. "É fundamental o domínio de vários idiomas, conhecimento técnico na área de atuação e, em alguns cargos, experiência em gestão", diz o diretor executivo da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Marshal Raffa. O diretor cita algumas das oportunidades oferecidas para os profissionais no setor de turismo. "É um grande ciclo. Há opções em hotéis, na área de serviços e lazer, nos restaurantes, no serviço público entre outros."

 

Na opinião de Raffa, além do preparo profissional, o candidato deve avaliar se tem aptidão para a área. "Não adianta embarcar em uma profissão apenas por ser promissora e com bons rendimentos. Antes de buscar especialização e investir na carreira é preciso saber se é realmente o que gostaria de fazer", afirma.

 

Para a vice-presidente de recursos humanos da rede Atlantica Hotels International, Dináurea Cheffins, se o profissional escolher um cargo que exige contato direto com os hóspedes, o perfil exigido para sua contratação é ser engajado em servir, ser simpático, alegre e que ele tenha facilidade para criar uma conexão emocional com o cliente. "O hóspede precisa se sentir como se estivesse em sua casa. Por isso, quem trabalha no ramo deve ser muito agradável e prático", diz.

 

Como forma de investir na qualificação do seu quadro de funcionários, a rede criou uma universidade corporativa. Segundo Dináurea, há opções de cursos para todas as funções. "Sentimos a necessidade de investir na formação de profissionais, porque sabemos que não é fácil encontrar alguém pronto e com o perfil que buscamos", diz.

 

A assessora da presidência para capacitação da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Olga Arima, diz que quem deseja atuar em uma agência de viagens deve ter noções de cultura, história e geografia. "Esse profissional vende sonhos. Por isso, é preciso ter noção dos principais destinos e o que o turista pode encontrar por lá para tornar o seu atendimento o mais completo possível."

 

De acordo com Olga, quem é selecionado para trabalhar como operador de viagens também recebe treinamento na própria agência ou na Braztoa. "É uma forma de manter a qualidade de nosso atendimento." Mas quando o assunto é Copa, Raffa e Thais acreditam que falta mão de obra qualificada para atender os turistas. "O Brasil não conseguirá formar bons profissionais a tempo", diz Raffa.

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