Embate expõe clima de tudo ou nada da reta final da eleição

Com apenas três semanas disponíveis para influenciar o voto dos eleitores, o debate de ontem deixou clara essa urgência. José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), que ainda sonham com a chegada ao segundo turno, aumentaram, e muito, o tom de sua carga contra a petista Dilma Rousseff, líder nas pesquisas de intenção de voto. A discussão de propostas de governo foi colocada em segundo plano.

Análise: Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

Todos sabiam que isso aconteceria. Especialmente, depois do tempero político adicionado à disputa com uma sequência de fatos políticos negativos com potencial para desgastar a candidatura petista.

Foi o caso da quebra de sigilo fiscal de políticos tucanos e da filha e genro de José Serra e da denúncia sobre o suposto tráfico de influência envolvendo o filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, braço-direito de Dilma dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A maior surpresa desse embate previsível foi o estilo adotado por Dilma, na linha "bateu, levou". Quando Serra acusou a campanha petista e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel de terem relação com a quebra de sigilo, Dilma aproveitou o direito de resposta obtido para chamar o tucano de "caluniador", abrindo uma sequência de troca de críticas e ataques.

Não foi por acaso. Se Serra, Marina e até Plínio sabem que precisam de um tropeço ou de uma denúncia que cole contra Dilma para reacenderem suas chances, a petista também não podia passar pelo debate sem exibir algum tipo de defesa. Mesmo que tenha feito isso sem consistência, como na resposta sobre a crise da Casa Civil, ela precisava jogar duro para se manter à frente dos demais.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE S. PAULO"

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