Embate polariza ministros pró e contra a lei

Quando um projeto polêmico está em votação no Congresso, é comum ver no plenário do Senado e da Câmara dois grupos bens distintos, sempre reunidos em rodas fazendo conchavos e planejando como vencer os adversários. No Supremo Tribunal Federal, a bancada em forma de "u" deixa os ministros afastados. As conversas são feitas pelo computador ou por bilhetinhos.

, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2010 | 00h00

Mas o julgamento do recurso de Joaquim Roriz (PSC) contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barrou sua candidatura aproximou os ministros do Supremo das estratégias montadas nas disputas governo versus oposição. Antes de iniciado o julgamento, os ministros haviam se dividido em dois grupos.

Gilmar Mendes, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Cezar Peluso e Dias Toffoli do lado contrário à lei. Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa a favor. Ellen Gracie, discreta, mantinha o suspense sobre seu voto. Apenas pequenos e discretos recados davam sinais de seu voto a favor da lei.

No primeiro intervalo da sessão iniciada na quarta-feira, os dois grupos se isolaram. Enquanto uns seguiram para a sala de lanches, anexa ao plenário, Mendes, Marco Aurélio e Celso de Mello fizeram uma pequena reunião ainda na bancada e começaram a trocar argumentos contra a aplicação da lei para estas eleições.

No retorno à sessão, as trocas de mensagens tornaram-se frequentes. Dos gabinetes, os assessores municiavam seus ministros com argumentos pró e contra a lei.

Lewandowski estava ladeado por Britto e Toffoli. Ora conversava ao pé do ouvido à direita, ora à esquerda. Do outro lado da bancada, Marco Aurélio e Mendes dividiam observações.

Quando Peluso propôs rejeitar a lei por completo, numa estratégia solitária de jogar para o Congresso a responsabilidade pelo adiamento da aplicação da Lei da Ficha Limpa, as movimentações se intensificaram. Cármen Lúciaacenou para Britto e Lewandowski, como se fosse um chamado para rejeitar energicamente a proposta.

A confusão levou Toffoli a pedir o adiamento da sessão para o dia seguinte. A sessão foi retomada na quinta e as conversas diminuíram. Cada lado aguardava o avanço ou recuo dos adversários. No intervalo, nova reunião, entre Gilmar, Marco Aurélio, Celso de Mello e, dessa vez, Dias Toffoli. Novas ponderações e estratégias.

O ápice da sessão se deu na madrugada. Mendes liderou o grupo que dava ao presidente o voto de desempate; Britto e Lewandowski fecharam resistência. Ao contrário do Congresso, onde frequentemente na negociação é preciso ceder para chegar a um resultado, no STF a regra é não abrir mão das posições. O resultado só poderia ser o impasse.

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