Emeis terão rodízio de crianças em São Paulo

Nas escolas municipais de educação infantil (Emeis) de São Paulo onde houver excesso de matrículas, os alunos vão assistir às aulas em sistema de rodízio. A decisão consta de uma portaria publicada no Diário Oficial do Município da próxima sexta-feira, a fim de contornar a falta de vagas nas Emeis para crianças de 4 a 6 anos. A estratégia adotada pela Prefeitura para tentar solucionar o problema já provocou reações. Hoje, o Sindicato dos Profissionais em Educação encaminha à secretaria um documento pedindo providências para evitar o rodízio. "E se as crianças estiverem no pátio enquanto as outras estão na sala de aula e começar a chover?", questiona o presidente da entidade, Cláudio Fonseca, que também é vereador eleito pelo PC do B. A portaria também estabelece que as Emeis vão funcionar em três turnos diários de quatro horas cada. As duas medidas, a duração das aulas e o rodízio, são prejudiciais para as crianças do ponto de vista pedagógico, explica a educadora Tizuko Kishimoto, presidente do Fórum Paulista de Educação Infantil. "Há décadas existe um déficit de atendimento na cidade. E o problema só se vem agravando, porque não se constróem escolas", diz. A Secretaria Municipal de Educação informou, por meio da Assessoria de Imprensa, que o rodízio será adotado em caráter excepcional e apenas quando não houver outra alternativa. A estimativa é de que poucas passem pela situação. A Assessoria disse que a prática já existe na rede e a novidade é a publicação da possibilidade no Diário Oficial. Existem 410 Emeis na capital, que atendem a 210 mil crianças de 4 a 6 anos. Outras 87 mil crianças de 0 a 6 anos estudam nas creches municipais. A administração anterior diz ter entregue 23 Emeis em 2000. Mesmo assim, faltam vagas. Estima-se que 10 mil crianças estão correndo o risco de ficarem sem vaga em Emeis, segundo dados da própria Secretaria Municipal da Educação.

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