Chico Siqueira/Estadão
Chico Siqueira/Estadão

Emilianópolis lidera diminuição de fosso entre ricos e pobres

Cidade do interior de SP reverte desigualdade impulsionada pelo setor do corte de cana e pela pecuária leiteira

Chico Siqueira , ESPECIAL PARA O ESTADO

03 de agosto de 2013 | 22h21

EMILIANÓPOLIS (SP) - Moradores de Emilianópolis, a 610 km da capital, atribuem à recuperação do salário mínimo, à abertura de financiamentos para a casa própria e ao aquecimento da atividade rural, as principais causas da redução da desigualdade de renda entre 2000 e 2010. O município com 3 mil habitantes foi o que mais reduziu a desigualdade de renda no período no País.

“Em 2000, existia apenas uma pessoa rica na cidade, era o fazendeiro Bento. Mas hoje existem outros. Só os que viraram fazendeiros foram três. E tem o dono do supermercado e o empreiteiro de casas”, conta o tratorista Sílvio Jeovino Brasil, de 43 anos. Ele diz que há seis anos recebia cerca de R$ 20 por dia trabalhado. “Hoje não trabalho por menos de R$ 65.”

O tratorista diz que neste período conseguiu comprar um carro mais novo, trocando seu Ford Corcel 1981 por um Chevrolet Corsa 2000.

Segundo Brasil, o aumento da renda dos moradores é visível pelas casas que estão sendo construídas e pelos carros nas ruas. “Antes, você não via carros novos e caros como hoje. É comum ver as pessoas com caminhonete na cidade”, diz.

O comerciante Wesner Gutierrez, de 46 anos, dono de uma padaria, é exemplo de ascensão. Em 2006, ele deixou o emprego de agente penitenciário e investiu em comércio. “Eu queria crescer na vida, mas como agente ia ficar estagnado”, diz. Montou uma loja de materiais de construção e em 2009 mudou de ramo.

Nesse período, ele trocou de carro e trocou seu Ford Escort por um Chevrolet S-10 e ainda construiu uma casa de 102 m², saindo do aluguel. Em 2010, comprou um Ford F-200.

As fontes. Gutierrez lembra que a principal fonte de renda do município é o corte de cana e a pecuária leiteira. “O corte de cana trouxe muitos nordestinos para a cidade e muitos deles ficaram por aqui, formando família e comprando casas, auxiliados pelos programas de financiamento do governo. Logo se vê que deixei o ramo justamente na hora que ele melhorou”, diz, brincando.

“Até na nossa família é possível perceber que a cidade mudou. A recuperação do salário e o aumento do emprego fizeram com que as pessoas passassem a ter mais renda e a oferta de crédito tornou isso visível”, comenta o funcionário estadual aposentado Maurílio Ambrósio, de 63 anos. Ele conta que sua filha, professora municipal Daliria Rodrigues, pôde comprar um carro e construir uma casa própria no período. “Ela melhorou de emprego e pôde sair do aluguel, com ajuda do marido, que é pedreiro, trabalha por conta, e teve seus ganhos aumentados”, diz.

Mas há moradores que discordam dos números da distribuição de renda. “Não acho que houve uma redução da desigualdade. Pelo que vejo, a diferença entre ricos e pobres continua a mesma. E aqui não tem nada que gere emprego. Nada justificar a redução da desigualdade”, disse a funcionária pública estadual Jeane Maria Dornelas.

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