Empregada mantinha diário de tortura, relata menina

L.R.S, de 12 anos, foi mantida em cativeiro durante 2 anos e torturada por empresária e empregada doméstica

Rubens Santos, de O Estado de S. Paulo,

23 de março de 2008 | 19h21

A menina mantida em cativeiro e torturada durante dois anos pela empresária Silvia Calabresi Lima relatou que sua existência no apartamento era clandestina: foi tirada da escola, não saia de casa, proibida de falar com parentes ou de visitá-los. L.R.S, de 12 anos contou detalhes de sua vida no apartamento de Silvia à delegada-titular de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Goiânia (GO), Adriana Accorsi, durante videoconferência, na semana passada, no Juizado da Infância e Juventude. Ela afirmou que também era agredida pela empregada doméstica Vanice, de 23 anos, que mantinha um diário dos maus-tratos à menina: "Dia 17 - Chamei L. às 05h41min; amarrei a luva as 05h45min". Vanice era quem a amarrava, com correntes, e ajudava a bater.  Veja também:Família sabia que empresária torturava menina de 12 anos Nos relatos, LRS, detalhou as agressões sofridas na casa de Silvia, a quem chamava de "tia": "Desde o meu aniversário (1º de novembro) ela (Silvia) passou a me deixar amarrada, colocava sacolas de plástico na minha cabeça para me sufocar, batia com o martelo nos dedos dos meus pés, apertava os dedos das mãos nas portas, enfiava tesoura no meu nariz, puxava a minha língua com um alicate, me queimava com um ferro de passar roupa, me amarrava na escada da área de serviço e ainda me amordaçava, passando pimenta nos meus olhos e na minha boca", disse. O filho mais velho - Tiago, um estudante de Engenharia - teria repetido o comportamento da mãe e tentado enforcar a menina, segundo afirmou LRS. Ela revelou à policia, aos psicólogos da delegacia, ao Conselho Tutelar e à imprensa que denunciava os maus-tratos ao marido e à mãe adotiva de Silvia, a idosa Maria de Lourdes, de 82 anos, que é inválida e mora no apartamento. "E ninguém pegou no telefone para denunciar?", questionou a delegada.  LRS também revelou que, nos últimos dias, vinham acontecendo brigas familiares envolvendo a empresária, seu marido, Marco Antonio, e os filhos do casal: o menor M., de 3 anos, Gustavo e Tiago, de 24 e 21 anos de idade, ambos estudantes de Engenharia Civil, sendo que um deles estuda em São Carlos (SP). De acordo com depoimento de LRS, a dona de casa também apresentava um comportamento inadequado: "A tia Silvia sempre falava muita bobeira sobre homens com as amigas em casa; ela era muito doidona", disse a menor. "Um dia ela pegou um pênis de borracha e me mostrou; ela sempre mostrava para as amigas dela", relatou durante videoconferência. Quando o escândalo veio à tona, na última segunda-feira, a família da empresária saiu do prédio. A mãe adotiva e o filho menor foram para a casa de parentes. O mesmo fez o pai e os filhos maiores, Tiago e Gustavo. As duas filhas de Vanice Maria Novaes foram entregues aos avós maternos enquanto ela e Silvia estão recolhidas na CPP (Casa de Prisão Provisória) com cerca de 130 outras presas, a maioria por tráfico de drogas.

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