Emprego das Forças Armadas no Rio não traria benefícios

'O soldado sobe e o bandido desce', diz oficial do Exército, hoje na reserva, sobre ocupação dos morros

Roberto Godoy, de O Estado de S. Paulo,

19 de outubro de 2009 | 07h39

A derrubada do helicóptero da Polícia Militar do Rio, abatido a tiros pelos traficantes do Morro dos Macacos, há dois dias, não leva a guerra contra o crime organizado a um novo patamar, próximo da intervenção militar. As primeiras informações indicam que a aeronave foi atingida por projéteis leves - nada que tenha saído das metralhadoras .30 ou que possa ter sido causado pelas granadas propelidas do tipo RPG encontradas nos arsenais das gangues.

 

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O uso dessas armas exige um tipo de treinamento que o narcotráfico ainda não tem, embora conte em suas fileiras com ex-combatentes da tropa de elite, paraquedistas e fuzileiros. A ação não foi planejada. O helicóptero leve dava apoio a uma ofensiva da PM contra a batalha entre grupos do crime organizado, orientando do ar o deslocamento de um time estimado em 120 homens. Pode ter sido atingido no sistema hidráulico, em uma das caixas de engrenagens, nos cabos elétricos ou na rede de condução do combustível - as possibilidades são muitas.

 

O helicóptero modelo Esquilo não era blindado e talvez não tivesse nem mesmo proteção reforçada na parte inferior da fuselagem. Embora trabalhe em teatro de operações de luta armada urbana, a polícia civil do Rio dispõe de apenas uma aeronave couraçada. A Secretaria de Segurança deveria ter um esquadrão completo, formado por seis unidades, duas das quais equipadas com sistemas de visão noturna e sensoriamento térmico. Sem isso, expõe os agentes a risco e reduz a eficiência da ferramenta.

 

O emprego das Forças Armadas, sob a justificativa de uma eventual militarização do conflito, não traria benefícios. Entre 1994 e 2006, tropas subiram morros e ocuparam favelas oito vezes. De acordo com um oficial do Exército, hoje na reserva, foi uma espécie de coreografia: "O soldado sobe e o bandido desce."

 

Há pouco mais de três anos 1.600 homens isolaram nove bairros com a missão de recuperar dez fuzis e uma pistola roubados de um quartel. A Força não se limitou à busca. Tratou de mapear as áreas e coletar dados logísticos. Nunca mais parou de expandir a inteligência no setor. Nos anos 80 já havia feito isso, com a PF, durante a Operação Mosaico. Foram localizados oito núcleos do comando do crime e definida uma ação conjunta de forças especiais para extrair os chefões de seus abrigos e destruir sua infraestrutura. O então presidente José Sarney não autorizou a intervenção. A situação em 2009 seria muito diferente.

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