Empreiteira ocupa terreno de obra prioritária

Espaço a ser estendido dará acesso de Perdizes ao Terminal Barra Funda

Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

09 Julho 2009 | 00h00

Uma das 11 obras eleitas como prioritárias para melhoria da região da Água Branca (zona oeste) é a continuação, 6 metros mais estreita, de uma rua. O cronograma prevê início da intervenção em até três meses. O espaço abrigará a extensão da Germaine Burchard, que começa na Rua Turiaçu e, hoje, termina na Rua Tagipuru. O objetivo declarado é ligar duas avenidas importantes, a Francisco Matarazzo e a Auro Soares de Moura Andrade, e dar acesso do bairro de Perdizes à área do Terminal da Barra Funda, de trem, metrô e ônibus. Mas a área onde a extensão será construída está hoje ocupada pelo canteiro de obras da Setin Engenharia, pertencente ao grupo Klabin-Segall. A Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) diz que o terreno é propriedade municipal, mas está sendo usado pela empreiteira por acordo, para evitar invasões. A Klabin-Segall, procurada por várias vezes nesta semana, não respondeu aos questionamentos da reportagem. Sempre de acordo com a Emurb, a empresa doou o terreno à Prefeitura como uma das contrapartidas para compensar o impacto causado no trânsito da região por suas obras. Um pedido oficial foi feito pela administração em 2006. O decreto tornando a área de utilidade pública saiu no ano seguinte. Os dados sobre a Germaine Burchard constam de uma proposta de plano viário da operação da Emurb. A empresa diz que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não prevê problema com o estreitamento no novo quarteirão da rua. Visitando o local, vê-se que a abertura não causaria grandes impactos no trânsito. A empresa contratada recebeu ordem de início - a partir da qual começa a contar o cronograma de obras - no dia 16 do mês passado. Dessa forma, começaram a ser contados três meses e meio para elaboração dos projetos executivos. O prazo total é de um ano e nove meses. Um canteiro de obras comum será instalado. Uma das possibilidades é próximo do Viaduto Antártica. A ideia é que a maioria das intervenções ocorra no período noturno, para evitar transtornos à vizinhança. A Água Branca abriga uma das operações urbanas da cidade. Por esse instrumento, a Prefeitura permite que empreiteiras construam mais metros quadrados que o permitido pela legislação para o local, em troca de contrapartidas em dinheiro. A verba deve ser utilizada para aliviar os impactos causados por esses excedentes e melhorar a urbanização. De 1995 até o último dia 16, haviam sido arrecadados R$ 65 milhões. Desses, só R$ 1 milhão foi gasto em obras e serviços. Outros R$ 700,6 mil foram usados para pagar despesas de banco e impostos. O pacote de 11 obras - em sua maioria, alargamento reurbanização de vias - vai custar aproximadamente R$ 16 milhões.

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